''''Acordo não é entre Lula e Chávez'''', diz presidente

Em reunião com líderes, ele afasta defesa da adesão da Venezuela ao Mercosul de qualquer afinidade pessoal

Denise Madueño e Luciana Nunes Leal, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

No dia seguinte à aprovação da entrada da Venezuela no Mercosul pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou, em reunião ontem com líderes governistas, desvincular a defesa da adesão do país vizinho ao bloco de qualquer afinidade pessoal com o colega Hugo Chávez. "Não se trata de um acordo entre Lula e Chávez, mas dos povos venezuelano e brasileiro", afirmou o presidente, segundo relato de líderes presentes ao encontro, no Palácio do Planalto.O líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), contou que o presidente observou que ele e Chávez "vão passar, mas os dois países continuam". Os líderes contaram que Lula agradeceu aos parlamentares aliados a aprovação do projeto na CCJ. Argumentou que o Brasil tem um papel importante e de liderança na América do Sul e a rejeição da entrada da Venezuela no Mercosul significaria uma sinalização muito ruim internacionalmente. Os líderes deixaram a reunião seguros de que os deputados da base governista votarão unidos a favor da proposta no plenário, assim como ocorreu na CCJ - em que o placar registrou 44 votos favoráveis e 17 contrários. ?BARULHO?"No plenário vai ser a mesma coisa. A base ficará unida", afirmou Arantes. "A oposição fez só barulho. A capacidade da oposição de convencimento se limitou à própria oposição." Na CCJ, o líder do PTB foi um dos articuladores da base aliada que não pouparam críticas a Chávez ao defender aprovação da adesão da Venezuela ao bloco. Para ele, o país vizinho é um parceiro comercial importante do qual não se deve prescindir. Quanto a Chávez, optou pela ironia: "Prefiro o Chaves da TV. É muito mais interessante do que ele (o presidente venezuelano)", disse Arantes, referindo ao personagem do seriado de TV representado pelo ator mexicano Roberto Bolaños.Depois da CCJ, os aliados consideram que a proposta será aprovada com tranqüilidade no plenário. "A base está consciente de que a entrada da Venezuela no Mercosul precisa ser feita. Não vamos fulanizar na pessoa do presidente venezuelano", disse o deputado Lincoln Portela (PR-MG).DISCURSOAssim, a transitoriedade no comando dos países e a importância do parceiro comercial para o Brasil vão ser a essência do discurso que a base usará na votação da proposta no plenário da Câmara. Dificilmente, no entanto, o Congresso aprovará neste ano a adesão da Venezuela ao bloco. Na Câmara, a proposta só deverá ser votada no próximo mês, quando a pauta deverá estar livre das cinco medidas provisórias e dos dois projetos com urgência que estão trancando as votações. O Senado terá apenas cerca de duas semanas para votar a proposta na Comissão de Relações Exteriores e no plenário. Com a agravante de ter a oposição no comando da comissão e a resistência já declarada de peemedebistas como o senador José Sarney (AP).

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