Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

'Acordo entre partidos para eleições indiretas não está na agenda hoje', diz Alckmin

Governador reafirmou compromisso com as reformas e evitou definir uma posição partidária antes do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE

Daniel Weterman e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

27 de maio de 2017 | 18h54

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), negou neste sábado que haja um acordo entre diferentes partidos para eleger um nome contrário à Operação Lava Jato em uma eventual eleição indireta para a Presidência da República - no caso de afastamento do presidente Michel Temer.

Uma das principais lideranças nacionais tucanas, Alckmin almeja disputar o Palácio do Planalto nas eleições gerais em outubro do ano que vem. O governador afirmou que nenhum acordo desse tipo está na agenda e que é preciso garantir o encaminhamento das reformas antes de conversar sobre eleição indireta. "Hoje a pauta é trabalhar, tentar acelerar as reformas, acredito que possamos rapidamente no Senado aprovar a reforma trabalhista", disse o tucano quando perguntado sobre o suposto "acordão". 

Nos bastidores, Alckmin articula o nome do presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), para uma eleição indireta, garantindo em troca o apoio à sua candidatura em outubro de 2018. Ontem, o tucano chegou a defender publicamente o nome do senador e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para um eventual colégio eleitoral. O ex-presidente, no entanto, já afastou a possibilidade de concorrer. 

Ao lado do prefeito João Doria, Alckmin participou hoje de um seminário organzado pela Prefeitura de São Paulo que reuniu prefeitos, vereadores e secretários de outras cidades e Estados para apresentar os programas realizados pelos governos dos tucanos. 

'Não depende de nós'.Ao falar sobre a permanência ou não do PSDB do governo de Michel Temer (PMDB), Alckmin, mais uma vez, defendeu que o compromisso do partido não é com o governo, mas com o País. Ele evitou, no entanto, definir uma posição partidária antes do julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que vai ser retomado no dia 6 de junho.

"Nosso compromisso é com o Brasil, com as reformas, que são necessárias para retomar a atividade econômica. E não mudou a nossa posição em relação ao governo Temer, pelo contrário, diante da instabilidade estamos e ficaremos ajudando e aguardando os desdobramentos", disse o governador. "Muitas coisas não dependem de nós". 

Além de defender a reforma trabalhista, Alckmin disse que apesar do cenário nacional conturbado é preciso garantir a aprovação de "dois ou três pontos" da reforma política até setembro deste ano, para que seja possível aprovar propostas que entrem em vigor na próxima eleição presidencial. O tucano é defensor de uma cláusula de barreira que diminua o número de partidos no Congresso Nacional, além de pregar o fim das coligações e o voto distrital. 

Afagos. Depois de passarem por uma semana de tensão e desencontros entre a Prefeitura e o governo estadual, Doria e Alckmin usaram o seminário para mostrar que estão "lado a lado". Eles reforçaram o discurso que estão trabalham juntos e que a relação não está abalada. 

Sinalizando que houve um desgaste, Doria disse que a amizade dos dois não está ancorada "apenas na política", mas na relação de 38 anos. "Uma história de 38 anos de amizade indivisível, inquebrantável, que fique claro aos meios de comunicações, aos deputados, vereadores e prefeitos que atenderam nosso convite para participar deste seminário", disse o prefeito em entrevista coletiva aos jornalistas.

Alckmin, por sua vez, reforçou as ações conjuntas de Estado e Prefeitura e fez uma brincadeira chamando o prefeito de São Paulo de "Geraldo Doria". 

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