Acordo foi fechado em boate, às 5 da manhã

Para intermediário, boxeadores queriam mesmo desfrutar capitalismo

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 00h00

Foi só ao fim de uma longa noitada, já perto das 5 da manhã, em uma boate do Rio, que os campeões cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara decidiram aceitar o convite e ir viver na Alemanha. ''''A fuga foi decidida no último minuto. Eles resolveram desertar quando deixaram a discoteca, já às 5 da manhã'''', afirma Villena y Scheffler.Ao revelar ao Estado os detalhes da negociação, o advogado da Arena Box Promotion disse que, em sua impressão, o que os dois mais queriam, naquele momento, era aproveitar as delícias da vida com dinheiro e liberdade. Ele disse ter entregue 5 mil a cada um (cerca de R$ 13,5 mil), mais celulares pré-pagos, além de depositar numa conta especial na Alemanha 20 mil (R$ 54 mil) em nome de cada pugilista. Esse valor correspondia a 20% do adiantamento que eles deveriam receber quando chegassem à Alemanha.''''Eles tinham muito dinheiro na mão e acho que gastaram quase tudo no Brasil'''', disse o advogado. Os dois tinham a companhia de três a cinco mulheres diferentes por dia, ou até mais. Esses detalhes foram relatados ao alemão por André Botino, brasileiro que ele contratou para acompanhar os boxeadores após o retorno de Dõring à Alemanha.ESCONDIDOSVillena acha que faltou um mínimo de preparação aos dois cubanos. ''''Se tivesse havido um melhor planejamento e um maior empenho, eles teriam tentado pegar seus passaportes de alguma forma, antes de abandonar a delegação.''''Villena esteve diversas vezes com Thomas Dõring, o intermediário que primeiro falou com os boxeadores, mas diz não saber sua profissão. ''''Se ele é mesmo jornalista, como afirmam, eu não sei. Sei que ele tinha acesso aos atletas através de uma credencial de imprensa.'''' Embora interessado em esclarecer o caso, já que foi acusado pelos atletas cubanos de tê-los dopado, Dõring - que, ao que tudo indica, está em Berlim - não quer contato com a imprensa. ''''Já passei a ele pedidos de entrevistas da mídia alemã, mas ele não quer falar'''', lembra Villena. Ele informou, ainda, que é fictício o endereço que consta nos registros da Black Star, a empresa para a qual trabalha Dõring e que fez a intermediação inicial com Rigondeaux e Lara. ''''Não sei exatamente que outro tipo de negócio a Black Star faz. Tive contato com eles apenas nesse caso, como representante da Arena.''''Uma terceira pessoa envolvida na históría é um cubano de cidadania alemã, Evelio Alexis Madrigal Moreira. Villena confirmou a participação dele na operação, mas diz nada saber a seu respeito. Apenas que era de Cuba e já estava de volta à Alemanha. ''''Nem sei direito o nome dele'''', alegou. ''''Acho que se chama Alex, ou Alexei.''''

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