Acordo em CPI provoca crise interna no PSDB

Aécio solta nota para desautorizar acerto para não ouvir políticos, ocorrido no dia em que cobrou investigações sobre caso Petrobrás

Isadora Peron, Ricardo Brito e Lilian Venturini, O Estado de S. Paulo

06 de novembro de 2014 | 16h47

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Atualizado às 22h17

Brasília - O acordo entre PT e PSDB na quarta-feira para evitar a convocação de políticos na CPI Mista da Petrobrás provocou uma crise entre os tucanos. O senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, desautorizou a negociação e divulgou nota nesta quinta-feira, 6, negando que o partido tivesse feito um acerto nesse sentido.

“O PSDB não pactua com qualquer tipo de acordo que impeça o avanço das investigações da CPMI da Petrobrás”, afirma o texto. “Lutamos pela instalação da CPMI. Temos de ir a fundo na apuração do chamado ‘petrolão’ e na responsabilização de todos que cometeram eventuais crimes, independentemente da filiação partidária.”


Na sessão da CPI, parlamentares da base e da oposição decidiram que não votariam requerimentos para ouvir políticos citados nas delações do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. No mesmo dia, Aécio havia feito seu primeiro discurso no Senado após as eleições, no qual condicionou a abertura do diálogo com a presidente Dilma Rousseff às investigações das denúncias.


O acordo na CPI beneficia os dois partidos: o PT evita os depoimentos do tesoureiro João Vaccari Neto e da senadora Gleisi Hoffman (PR) e o PSDB, o de Leonardo Meirelles, testa de ferro de Youssef que disse à Justiça Federal que o doleiro também atuava para os tucanos.


Nova CPI. Em entrevista à Rádio Estadão, Aécio afirmou que vai propor uma nova CPI mista da Petrobrás em 2015, caso a comissão atual se encerre sem resultados claros. O senador negou responsabilidade pelo acordo na comissão e alegou que o PSDB tem uma “minoria pouco expressiva na CPI mista”.


“O governo é que define as oitivas. Eu não participei dessas reuniões. Mas, no que depender de mim, se não for possível chamar (os políticos citados nas delações) ainda este ano, que isso seja feito a partir do início do ano que vem”, disse. Questionado se está preocupado com o fato de a investigação poder atingir também ao seu partido, Aécio defendeu que é preciso “investigar todo mundo”.


Diante da repercussão do caso, os líderes dos partidos da oposição na Câmara também emitiram nota negando o acordo: “Reafirmamos nossa disposição de ir até o fim em busca de respostas e dos responsáveis pelos desvios, enquanto o interesse do governo é confundir a opinião pública e misturar inocentes com culpados”. O texto é assinado por deputados do PSDB, DEM, PPS e Solidariedade.

 O deputado tucano Carlos Sampaio, que representou o PSDB na reunião de quarta-feira, disse que houve “má fé” por parte do relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS) ao dizer ter havido um acordo no encontro.

 

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