Acordo do G20 confere mais poder a países em desenvolvimento

Grupo terá maior porcentagem de votos e mais cadeiras no Fundo Monetário Internacional.

BBC Brasil, BBC

23 de outubro de 2010 | 13h03

O secretário Timothy Geithner (2º à esquerda) conseguiu preservar o poder dos EUA

Países em desenvolvimento passarão a ter mais poder no Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo um acordo fechado neste sábado por ministros das Finanças dos países que integram o G20, o grupo das 20 maiores economias do planeta.

Entre as principais mudanças está a transferência de cerca de 6% dos direitos de votos no FMI para países em desenvolvimento.

Além disso, a Europa vai ceder duas vagas no conselho executivo do Fundo para países em crescimento.

Com isso, a China será o terceiro integrante mais poderoso do grupo, com mais poder de voto que potências tradicionais como Alemanha, França e Itália.

A Índia passará do 11º ao oitavo lugar. A Rússia ficará em nono e o Brasil em décimo.

EUA mantêm poder de veto

Os Estados Unidos vão continuar a ter direito de veto em decisões importantes.

Tais decisões requerem 85% dos votos no FMI, e Washington permanecerá com 17%.

Reunidos na cidade de Gyeongji, na Coreia do Sul, os ministros também se comprometeram a regular desvalorizações competitivas de suas moedas.

O objetivo é acabar com o que economistas vêm chamando de "guerra cambial", ou seja, o uso da desvalorização artificial de suas moedas como forma de incrementar a exportação.

Os governos têm evitado um confronto direto com a China, mas muitos consideram o país asiático como vilão dessa disputa.

A China é acusada de manter o yuan subvalorizado para estimular as suas exportações.

Além disso, o grande afluxo de capital aos países em desenvolvimento também tende a valorizar as suas moedas, o que prejudica a sua competitividade no mercado internacional.

Embora o acordo tenha sido fechado, não foi estabelecido um cronograma para implementar as mudanças

Há alguns anos, o governo chinês já vem afirmando que fará mudanças na sua política monetária, mas paulatinamente.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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