Acordo deixa Aécio sem apoio dentro de São Paulo

Já Alckmin, se obtiver êxito na luta contra a crise econômica, pavimentará retorno ao governo paulista

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

20 de janeiro de 2009 | 00h00

Ao atrair o ex-governador Geraldo Alckmin para sua gestão, o governador José Serra unifica São Paulo em torno de seu projeto presidencial em 2010 e tira do governador de Minas, Aécio Neves, o único apoio que tinha nos arraiais tucanos paulistas. Se Serra pacificou o Estado em seu apoio, Alckmin, por seu lado, assume uma secretaria de visibilidade e comandará, em São Paulo, a luta contra a crise econômica. Se tiver êxito, terá percorrido boa parte do caminho para viabilizar sua volta ao governo estadual em 2010.A Secretaria de Desenvolvimento tem sido a encarnação do discurso serrista para enfrentar a crise. Seu plano de trabalho tem o título de Os novos rumos da locomotiva. Nos últimos dois anos, o ex-secretário Alberto Goldman costurou ambiciosos projetos para catapultar o desenvolvimento paulista, uma área que representa para Serra - mais do que a busca do êxito administrativo - o teste para suas teses desenvolvimentistas e a alavanca de seu futuro discurso de candidato presidencial. Alckmin, ex-governador e ex-candidato à Presidência, dá densidade a esse discurso, dizem os aliados de Serra.A primeira conversa foi no dia 23 de dezembro, quando Serra disse a Alckmin que precisava dele para ocupar a Secretaria do Desenvolvimento e dar vigor à luta contra a crise. Atendia, então, a conselhos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, arquiteto de um entendimento em São Paulo. Do lado de Serra, apenas os secretários Aloysio Nunes Ferreira e Goldman foram notificados do convite. Do lado de Alckmin, ninguém soube, a não ser na semana passada, quando tudo já estava sacramentado.Parceiros dos dois lados contaram que o acerto entre os dois não teve condicionantes. Serra não cobrou o apoio antecipado de Alckmin a sua candidatura presidencial nem Alckmin disse que almeja voltar ao governo estadual. Mas os dois lados admitem que esses serão desdobramentos "naturais" da aproximação.Ontem, aliados de Alckmin eram só elogios para Serra, a quem rotularam de "político de porte", capaz de "um gesto grandioso de aproximação". Para um deles, agora São Paulo tem "um discurso único". O ingresso de Alckmin no governo, disse um antigo aliado, "sela o PSDB em São Paulo", um eufemismo para expressar que agora Alckmin fechou as portas aos acenos de Aécio, maior incentivador de sua candidatura à Prefeitura de São Paulo no ano passado.Não é para menos. A Secretaria de Desenvolvimento é dona de atraente fatia do governo. Comanda a Agência de Fomento do Estado, espécie de BNDES estadual criado para financiar pequenos e médios empresários que acaba de receber um capital de R$ 1 bilhão, propiciado pela venda da Nossa Caixa. Outra fatia importante é o Centro Paula Souza, que dirige as 45 Faculdades de Tecnologia (Fatecs) e 151 Escolas Técnicas (Etecs), presentes em 127 cidades paulistas. Fatecs e Etecs também herdaram recursos da venda da Nossa Caixa.A secretaria também comanda a Investe São Paulo, agência destinada a atrair investimentos para o Estado, e dirige o projeto dos parques tecnológicos, que cria ambientes de pesquisa para atrair empresas de alta tecnologia. Também está vinculado à secretaria o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), importante centro de pesquisas localizado dentro da Universidade de São Paulo (USP), que dá apoio tecnológico ao setor produtivo.

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