Juca Varella|Estadão
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Acordo de leniência da Odebrecht pode ser fechado até quarta

Cooperação da empreiteira envolve autoridades judiciais nos Estados Unidos, Suíça e Brasil; profissional em Nova York disse que tudo aponta para um acordo 'a qualquer momento'

Altamiro Junior, correspondente, O Estado de S. Paulo

28 de novembro de 2016 | 19h55

Nova York - O acordo de leniência da Odebrecht, que envolve autoridades judiciais dos Estados Unidos, Suíça e Brasil, pode ser assinado nas próximas horas, de acordo com fontes próximas ouvidas pelo Broadcast. A expectativa dos advogados em Nova York é de que seja um dos maiores acordos já fechados do tipo no mundo.

O feriado de Ação de Graças na última quinta-feira nos EUA, com muitos órgãos federais emendando a sexta, acabou atrasando a assinatura do acordo. Um advogado em Washington próximo às conversas prevê que a delação seja assinada na próximas horas, no máximo até quarta-feira, 30. Já um profissional em Nova York disse que tudo aponta para um acordo "a qualquer momento" entre hoje e quarta-feira.

Os técnicos do Departamento de Justiça (DoJ, na sigla em inglês) investigam se a empresa brasileira usou bancos nos EUA para fazer o pagamento de irregularidades e também se companhias estabelecidas no país e investidores norte-americanos fizeram algum tipo de operação irregular com a Odebrecht, de acordo com um ex-procurador do DoJ que agora acompanha a Operação Lava Jato de Washington.

A delação da Odebrecht ganhou repercussão nas últimas semanas nos EUA na imprensa e entre os investidores, que já compraram no país bônus emitidos pela empresa brasileira ou alguma de suas subsidiárias. Estima-se que o acordo fique na casa dos R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões, o que o coloca como um dos maiores já fechados no mundo.

A Odebrecht também tem uma subsidiária nos EUA e passou a fazer parte do grupo de réus de duas ações. Em Nova York, a empresa é acusada de ajudar a Braskem a comprar nafta, principal matéria-prima da companhia petroquímica, a preços subsidiados da Petrobras pagando para isso propinas a políticos.

Em outra ação, em Washington, o fundo EIG Global Energy acusa a Odebrecht e a Petrobras de "conspirarem" para que a gestora fizesse um investimento de US$ 221 milhões na Sete Brasil, criada para a exploração do pré-sal e agora em recuperação judicial. A primeira audiência do caso foi marcada para 31 de janeiro de 2017.

As informações são de que a delação da Odebrecht envolve cerca de 80 executivos da companhia e podem comprometer até 200 políticos brasileiros envolvidos em irregularidades. Ontem, o presidente Michel Temer, afirmou que seria "ingênuo" negar que não há preocupação no Planalto com o conteúdo da delação. 

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