Acordo combate lavagem internacional de dinheiro

A investigação sobre os ativos em nome do ex-prefeito Paulo Maluf na Ilha de Jersey só está sendo possível graças à existência de um grupo de 31 países que busca harmonizar políticas nacionais para evitar a lavagem de dinheiro no mundo. O grupo, conhecido como Força-Tarefa para o Combate à Lavagem de Dinheiro (em inglês, FATF), foi iniciativa do G-7 (o grupo dos sete países mais ricos do mundo), ainda no fim da década de 80. Mas foi apenas nos anos 90 que acabou ganhando a adesão de outros países, inclusive do Brasil, do México e da Argentina.O objetivo do FATF é estabelecer mecanismos de cooperação entre os países para que indivíduos suspeitos de praticar transações financeiras duvidosas possam ser investigados. No caso de Maluf, o dinheiro supostamente teria saído do Brasil, passado pela Suíça e ido para Jersey, o que envolve a coordenação de três estruturas policiais e jurídicas para decifrar o caso.Segundo o grupo, a lavagem de dinheiro movimenta cerca de US$ 1,5 trilhão, o equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. "É um problema global, que necessita de soluções globais", observa o documento da instituição, que tem sede em Paris.Reputação - Se depender da reputação de Jersey, as autoridades brasileiras podem ficar tranqüilas. Na avaliação do FATF, a ilha tem uma das legislações mais eficazes no combate à lavagem de dinheiro. Além disso, as autoridades locais têm conseguido identificar suspeitos de transações duvidosas. O caso mais famoso é o do ex-presidente da Nigéria general Sani Abacha. O processo ainda está em andamento, mas a iniciativa de Jersey de investigá-lo recebeu aplausos da comunidade internacional.Jersey não realiza as investigações só para contribuir com a comunidade mundial. As autoridades locais sabem que para manter o status de paraíso fiscal têm de cooperar no combate à lavagem de dinheiro.A ilha vive situação política e econômica peculiar. É território da Grã-Bretanha, que conduz sua política externa, e a libra é sua moeda. Mas tem governo autônomo em relação a Londres e não integra a União Européia (UE).Economicamente, a ilha tem desempenho invejável. Não há dívida interna nem externa e cerca de 117 bilhões de libras esterlinas (o equivalente a US$ 200 bilhões) estão depositados nos bancos de Jersey. Possuem agências na ilha 40 bancos internacionais, entre eles HSBC, Citibank, UBS e Chase Manhattan. A população local é de cerca de 90 mil pessoas, embora possa "até dobrar" nas férias de verão.O aeroporto de Saint Helier, a capital, é a própria imagem de Jersey. Tem uma pista de pouso que só comporta aviões com até 50 passageiros. No meio do Canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França, as 40 agências bancárias de Jersey não parecem preocupadas com o "isolamento". A ilha possui um dos sistemas de telecomunicação mais eficazes da Europa, o que garante a ligação entre Saint Helier e os principais centros financeiros do mundo.

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