Acordo com França pode ir a ? 12 bi

Sarkozy e Lula assinaram há 5 meses termo de cooperação

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

10 de maio de 2009 | 00h00

O ano da França no Brasil terá 400 eventos culturais e 40 de negócios, envolvendo cerca de 600 empresas de olho em acordos comerciais de grande porte, como o fornecimento do trem de alto desempenho para fazer a ligação São Paulo-Rio, um empreendimento de ? 10,3 bilhões. Nada porém terá o brilho político e econômico dos resultados dos acordos bilaterais fechados desde dezembro, com a discrição possível, no setor de Defesa. Entre submarinos convencionais, tecnologia de casco para navios do mesmo tipo porém de propulsão nuclear, modernização de mísseis, fornecimento de helicópteros pesados, mais as construções de um estaleiro e de uma sofisticada base naval, a fatura bate em ? 9,8 bilhões.O jogo está em andamento. Na manhã de 7 de setembro, em Brasília, o presidente francês Nicolas Sarkozy e seu anfitrião, Luiz Inácio Lula da Silva, talvez assistam ao sobrevoo de um ou dois caças Rafale vindos da base de Orange para a festa da Independência. É possível que estejam usando uma tarja verde-amarela, em homenagem à Força Aérea Brasileira, a FAB, indicando que a proposta da Dassault Aviation saiu vitoriosa no programa F-X2. Mais ? 1,6 bilhão na cesta de compras.Somado a encomendas já existentes, no valor de ? 560 milhões, para o fornecimento de 12 cargueiros médios e do recheio eletrônico de oito aviões P-3 de patrulha marítima (o primeiro voou dia 29 de abril em Getafe, na Espanha) e a acordos pontuais considerados sigilosos - a criação de novos mísseis de três diferentes tipos -, o total das transações supera os ? 12 bilhões. Sarkozy e Lula assinaram há cinco meses um termo de cooperação que abrange ao menos uma dezena de projetos conjuntos. A pesquisa vai definir o perfil do soldado do futuro, um combatente treinado para atuar principalmente na Amazônia, equipado com farda feita com tecido de reação térmica, recursos eletrônicos como um micro computador portátil de múltiplo emprego, e armamento de tecnologia de 7ª geração.Da Helibrás, de Itajubá, sairão 51 helicópteros pesados Cougar EC-725. O contrato é avaliado em cerca de 1,89 bilhão. A empresa, que emprega 250 técnicos, vai abrir 750 novas vagas até 2013 para atender o pedido. O processo implica transferência de tecnologia e compensações comerciais. Todos os helicópteros serão fornecidos para as Forças Armadas. As primeiras unidades serão entregues no início de 2012. Na área do Comando da Marinha, está o programa mais ambicioso. De acordo com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, serão comprados quatro submarinos convencionais, diesel-elétricos, da classe Scorpène, do estaleiro DCNS, de Cherbourg, e também o conhecimento avançado para a execução do casco de navios do mesmo tipo, porém dotados de propulsão nuclear. A Marinha domina o ciclo do combustível atômico e a engenharia de reatores. O pacote prevê ainda a construção de um estaleiro especializado e da base de operações da nova força. O valor total é superior a ? 7 bilhões. O lote poderá ser todo produzido no País, embora esteja em discussão como forma de reduzir os prazos de entrega, a fabricação da primeira unidade em Cherbourg, com a participação de engenheiros navais brasileiros. "A transferência de tecnologia está garantida de forma contratual", segundo o almirante Júlio Moura Neto, comandante da Marinha.A escolha do Scorpène está vinculada à meta do submarino estratégico. O navio adota conceitos da classe Rubis, nuclear, de 2.400 toneladas. O desenho do casco incorpora peculiaridades hidrodinâmicas adequadas às exigências em regime de alta velocidade (20 nós, 37 km/hora) e manobras críticas. A cooperação com a França vai resultar na construção de uma nova base - a pretensão é de que a frota seja composta por três unidades até 2035 - de submarinos nucleares. O centro naval será instalado no litoral sul do Rio, próximo do novo estaleiro. Ali, no bolsão de águas calmas e profundas, onde a topografia é favorável, os navios de 6.700 toneladas serão preparados para cumprir missões permanentes em alto mar. O parceiro local do estaleiro DCNS é o grupo Odebrecht.Uma joint venture reunirá a empresa nacional, com 50%, o estaleiro francês, que terá 49% e a Marinha do Brasil, com 1% .

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