Acordo aumenta dependência do FMI, diz José Dirceu

O presidente licenciado do PT, deputado federal José Dirceu (SP), condenou na manhã de hoje, em São Paulo, o novo acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Para ele, o acordo aprofunda a dependência brasileira em relação aos capitais externos e pode embutir compromissos de privatização. ?Nosso temor é que o governo tenha assumido o compromisso de privatizar todo o setor energético, a Petrobras e a previdência social?, declarou o deputado, em entrevista concedida no Hotel Cad?Oro, onde foi visitar o governador de Minas, Itamar Franco (PMDB).?O governo está aprofundando a crise do País com esse acordo, porque o Brasil vai, cada vez mais, se endividando e dependendo de capitais externos e não muda a política econômica?, sustentou Dirceu. Ele argumentou que a crise é resultante da posição que o governo assumiu em 97, quando ?a aceitação de um superávit primário entre 3% e 3,5% do PIB impediu investimentos em infra-estrutura?. Dirceu anunciou que seu partido vai exigir no Congresso um debate transparente sobre o acordo. ?O que deixa o PT preocupado é que o acordo com o FMI tem um lado que não é público. O PT teme que sejam as privatizações?, reiterou. Dirceu voltou a dizer que o País ?precisa de um novo governo para mudar a política econômica?, e alertou que o governo está adotando uma estratégia de marketing planejada para confundir o eleitorado. Uma das características dessa estratégia, segundo afirmou, ?é dizer que o PT tem programa igual ao do PSDB e que, se é para votar em programa, o melhor então é votar no original?.O deputado também afirmou que outro aspecto dessa estratégia é a proliferação de candidaturas do PSDB à Presidência da República, com o objetivo de ?ocupar espaço na mídia?. No entanto, ele argumentou que essa proliferação, na prática, reflete a dificuldade do partido governista encontrar um candidato bom de voto, pois todos os pretendentes ?ficam estacionados em 7%?.

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