DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Quintão desiste de disputar liderança do PMDB para apoiar Picciani

Deputado afirma que decisão foi tomada após conselho do vice-presidente e que sua 'missão' agora será levar a unidade em prol da reeleição de Temer para a presidência nacional do partido

IGOR GADELHA e DANIEL CARVALHO, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2016 | 17h09

Atualizada às 17h52

BRASÍLIA - O deputado Leonardo Quintão (MG) desistiu nesta sexta-feira, 22, de se candidatar à liderança do PMDB na Câmara para apoiar o atual líder, Leonardo Picciani (RJ), que tentará a reeleição. O parlamentar alega que a decisão partiu após ter sido aconselhado pelo vice-presidente Michel Temer. Com a saída de Quintão, o deputado fluminense terá agora apenas um adversário na disputa: o deputado Hugo Motta (PB), cuja candidatura foi articulada pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 

"Depois que o vice-presidente me pediu para ajudar a ter unidade do partido, eu desisti da candidatura", afirmou Quintão ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, ressaltando que se reuniu com Temer nos últimos dias. De acordo com o parlamentar, sua "missão" agora será levar a unidade em prol da reeleição de Temer para a presidência nacional do PMDB, posto que ocupa desde 2001. A convenção nacional da legenda está prevista para março.

Além dos conselhos de Temer, Quintão ressaltou que o lançamento da candidatura de Hugo Motta na quarta-feira, 20, também contribuiu para sua desistência. "A candidatura dele veio apenas para dividir ainda mais o partido e gerar uma ruptura sem precedentes", disparou. Cunha articulou a candidatura de Motta para tentar dificultar a reeleição de Leonardo Picciani, candidato preferido do Planalto na disputa.

A ideia do presidente da Câmara ao lançar Motta como terceiro candidato era dividir os votos de Picciani com o deputado paraibano, que, apesar de ser próximo de Cunha, tem boa relação com a base aliada ao governo. Dessa forma, Cunha esperava levar a disputa para o segundo turno. Nessa etapa, ele acreditava que a união entre os apoiadores de Quintão e Motta aumentaria as chances de derrota de reeleição de Picciani.

Quintão negou que tenha desistido da candidatura em troca da promessa de ser indicado para qualquer comissão na Câmara pelo atual líder ou pelo Planalto, para algum ministério. Segundo o deputado, o único compromisso feito por Picciani foi de apoiá-lo na disputa pela liderança do PMDB em 2017. Quintão lembrou que Picciani já tinha feito esse compromisso em 2015 para a disputa deste ano, mas acabou não cumprindo.

O deputado mineiro afirmou que o atual líder também o convidou para ser candidato a 1º vice-presidente do partido em sua chapa. Segundo apurou a reportagem, Quintão poderá já assumir a liderança no segundo semestre deste ano, quando Picciani pretende sair em campanha para suceder Eduardo Cunha na presidência da Câmara.

Surpresa. Parlamentares da ala pró-impeachment do PMDB que apoiavam Quintão se mostraram surpresos com o anúncio de desistência feito pelo parlamentar mineiro. Osmar Terra (PMDB-RS) foi informado da decisão pelo Broadcast Político. O peemedebista gaúcho disse que, agora, a bancada da sigla do Rio Grande do Sul deverá apoiar o deputado Hugo Motta. "Desse jeito, ele (Quintão) vai levar apenas o voto dele", afirmou.

Peemedebistas do grupo de Cunha, por sua vez, minimizaram a saída de Quintão e sua intenção de apoio a Picciani. A avaliação é de que o impacto é "zero", pois o mineiro não teria influência sobre outros peemedebistas. Esse grupo diz acreditar que Hugo Motta vencerá Picciani com 15 votos de vantagem.

Aliados de Cunha disseram ainda que já previam a saída de Quintão depois que o presidente da Câmara começou a articular a candidatura de Hugo Motta. 

"Michel Temer afirmou, por meio de sua assessoria, que não deu conselhos diretos a Quintão para que desistisse de sua candidatura para apoiar Picciani. Segundo o vice, Quintão ligou para ele nesta sexta-feira informando da decisão e ressaltando que iria condicionar o apoio a Picciani à votação favorável da bancada do PMDB do Rio de Janeiro ao vice, na eleição para presidência nacional do PMDB.

Temer, então,  disse a Quintão que não precisava vincular o apoio, pois as articulações para sua reeleição ao posto em março estão "bem encaminhadas" e "evoluindo bem". De acordo com a assessoria, o vice ponderou ainda que Quintão e Picciani deveriam buscar uma solução para a disputa pela liderança da bancada de forma independente da questão partidária. 

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