Aconselhado por amigos, Renan deve renovar licença médica

O atestado, de 10 dias, justifica sua licença somente até esta sexta-feira; decisão será para salvar seu mandato

CHRISTIANE SAMARCO E CIDA FONTES, Agencia Estado

30 de outubro de 2007 | 20h12

O presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deve renovar a licença médica de dez dias que o mantém afastado da Casa desde a semana passada. A conselho de amigos, ele se mantém recolhido na residência oficial e não pisa no Congresso desde que o laudo médico, recomendando a realização de exames de rotina, foi entregue à Mesa Diretora.   Veja também: Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan   Relator do 3º caso Renan chama de 'canalha' autor de 'dossiê' Com licença médica, Renan se afasta do Senado por 10 dias O atestado justifica sua ausência só até sexta-feira, mas Renan já foi alertado por companheiros de partido, líderes da base e da oposição, de que o melhor é se manter longe do Congresso mais uns dias, se quiser salvar seu mandato.   Um dos amigos de Renan diz que a temperatura da crise baixou, mas que o clima geral do plenário ainda lhe é hostil. "A irritação do Senado com ele diminuiu bastante, mas não o suficiente para livrá-lo da cassação", atesta um líder aliado que prefere manter o anonimato. "Se ele fosse a julgamento hoje, o risco de condenação seria muito alto", completa o senador, convencido de que o tempo conspira em favor de Renan e que a "submersão" é sua única alternativa.   O PMDB suspendeu nesta terça-feira,  temporariamente, as articulações em torno da sucessão de Renan,  ao cargo de presidente da Casa. Em reunião com a bancada, o líder do partido, senador Valdir Raupp (RO), fez um apelo aos colegas pedindo que adiassem a discussão do assunto enquanto Renan estiver licenciado. O temor do líder é de que o partido fique fragilizado com a exposição de nomes e sujeito a uma guerra de dossiês envolvendo peemedebistas.   Daqui a pouco ficamos sem nomes", advertiu Raupp à bancada, manifestando a preocupação de que os adversários iniciem uma campanha para "queimar" possíveis candidatos ao cargo de Renan. Apesar dos apelos do líder, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) anunciou à bancada a intenção de disputar a vaga de Renan Calheiros caso ele decida renunciar da presidência. Renan está licenciado do comando do Senado. Mas a expectativa é de que, na próxima semana, ele retorne ao Senado, assim que terminar sua licença médica.   Mesmo fora do Senado, Renan tem telefonado aos senadores do PMDB e da oposição. Ainda na reunião da bancada, Valdir Raupp afirmou também que abrir agora a sucessão de Renan poderá tumultuar o clima político e dificultar a votação da emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF).   O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), pediu o apoio dos colegas à renovação do chamado imposto do cheque, e informou aos peemedebistas sobre a proposta do governo de reduzir a alíquota já no próximo ano de 0,38% para 0,36% e ainda aumentar os recursos da saúde via a regulamentação da emenda 29 que está na Ordem do Dia da Câmara.   O surgimento de dossiês contra senadores preocupa o petista Tião Viana. Ele disse que essas especulações precisam ter um fim e disse que vai acionar a Polícia Federal e a Corregedoria Geral do Senado para responder às especulações.   "Esses dossiês têm que ser combatidos e não estão sustentados por fatos. Não estamos no regime de exceção e não se pode admitir isso", afirmou o senador, depois do discurso do senador Jefferson Peres (PDT-AM) que subiu à tribuna para afirmar que está sendo vitima de dossiê e chantagem. "Não tenho nada escondido, nenhum esqueleto no armário", disse Peres, que pediu providências ao Senado.

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