Ações pró-quilombolas criam tensão em SP

Em São Paulo, as ações destinadas à demarcação de terras remanescentes de quilombos estão provocando tensões entre fazendeiros, ecologistas e quilombolas.Reunidos na capital paulista nesta semana, durante evento promovido pelo Ministério Público Federal, representantes de comunidades quilombolas de diversas partes do Estado disseram que os fazendeiros ameaçam resistir às demarcações - que os obrigariam a sair das áreas que ocupam. Por outro lado, organizações e autoridades ambientais questionam a permanência dos quilombolas em áreas de preservação."Tem fazendeiro fazendo até ameaça de morte", disse João Paulo de Almeida, da comunidade Praia Grande. "Um deles já disse que não quer ver a negrada no pasto dele."Segundo relato da coordenadora da comunidade Pedro Cubas de Cima, a quilombola Edivina da Silva, as tensões devem aumentar: "É um começo de briga. Tenho medo de alguma tragédia. Os fazendeiros dizem que quilombola não trabalha, é preguiçoso, não merece terra."Em diversos pontos do Estado, territórios reivindicados pelos remanescentes de quilombos se sobrepõem a áreas de conservação ambiental, dando origem a atritos com autoridades do setor. No encontro promovido pelo Ministério Público, os quilombolas também reclamaram da legislação ambiental, por não respeitar os traços culturais de suas comunidades. "Sabemos preservar o meio ambiente, mas à nossa maneira", disse o líder comunitário André Luís. "Tanto é verdade que criaram parques em cima de áreas onde vivem quilombolas porque estão bem preservadas."

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