Ações devem marcar semana da mulher

MST, Via Campesina e CPT prometem manifestações em Pernambuco

Mônica Bernardes, O Estadao de S.Paulo

09 de março de 2009 | 00h00

Reivindicações e denúncias. São com estas palavras que os movimentos sociais pretendem marcar mais uma edição da Jornada Nacional de Mulheres da Via Campesina, iniciada hoje, em todo o País. As atividades fazem parte das ações programadas para marcar a semana do Dia Internacional das Mulheres.Em Pernambuco, centenas de trabalhadoras rurais ligadas ao Movimento dos Sem-Terra (MST) e à Comissão Pastoral da terra (CPT) realizam protestos em municípios da Zona da Mata Norte e no Sertão.A previsão dos organizadores é de que as ações sigam até o final da semana. De acordo com Marluce Melo, da coordenação estadual da CPT, as atividades estão integradas aos projetos sociais desenvolvidos pelas entidades."Vamos aproveitar as comemorações em torno do Dia Internacional da Mulher para externar nossa discordância sobre o modelo de agronegócio que é desenvolvido em nosso País. Além disso, vamos cobrar do poder público a realização de uma reforma agrária eficiente e em defesa da soberania alimentar", destacou Marluce. VÁRIOS PROTESTOSNa Mata Norte, região conhecida pelos conflitos envolvendo produtores canavieiros e os movimentos sociais, as mulheres realizarão um protesto contra o modelo de monocultura de cana e o trabalho escravo - que segundo os movimentos ainda é encontrado em algumas propriedades.No sertão, as atividades serão concentradas na cidade de Petrolina, onde as camponesas farão um ato contra o avanço do agronegócio na região, promovido pelos grandes projetos de irrigação do Rio São Francisco. Petrolina é hoje o maior produtor de frutas tropicais do Nordeste. Não há informações oficiais, mas fontes ligadas à Via Campesina não descartam a realização de ocupações de terra no Estado. De acordo com dados da CPT, o setor sucroalcooleiro é apontado como o que mais se utilizou da mão-de-obra escrava no ano de 2008, em todo o País. "Um total de 2.553 trabalhadores, o que representa 49% dos resgatados da escravidão, estavam no setor sucroalcooleiro", destacou Marluce Melo. As mulheres da Via Campesina defendem também a aprovação da proposta de emenda constitucional 438, que tramita no Congresso e prevê a desapropriação de terras onde sejam encontrados trabalhadores em situação análoga à de escravidão.

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