ACM torce pela renuncia de Arruda

Para tentar escapar da cassação, osenador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) vai jogar todas asfichas na acareação que o Conselho de Ética fará na quinta-feiraentre ele, o senador José Roberto Arruda (sem partido-DF) e aex-diretora do Prodasen Regina Borges. A principal esperança deACM é que Arruda renuncie ao mandato o mais breve possível. Depreferência, antes da acareação. Segundo um político próximo de ACM, a renúncia de Arrudadescartaria a necessidade de uma pena igual para os doissenadores acusados de violar o painel de votação. ACM tem dito ainterlocutores que está pagando por um erro cometido por Arruda.A renúncia do ex-líder do governo, na sua opinião, deixaria ocaminho sem obstáculos para ele reverter o difícil quadro. A avaliação de políticos carlistas é que a ausência deArruda na acareação facilitaria bastante a situação de ACM.Afinal, o cacique baiano ficaria livre para apresentar a suaversão dos fatos sem contestação. Por outro lado, existe apressão de parlamentares tucanos para que Arruda segure um poucosua decisão de renunciar ao mandato, exatamente para dificultara situação de ACM. Para um cardeal tucano, quanto mais tempo Arruda permanecerno cargo, mais complicado será para ACM preparar sua defesa - oque forçaria o cacique baiano a renunciar. Mas, dentro do Senado a avaliação majoritária é de que, mesmo com a renúncia deArruda, será muito difícil ACM escapar da cassação. "Nessaaltura do campeonato não tem mais volta", afirmou o líder doPPS no Senado, Paulo Hartung (ES). "Não tem como parar esseprocesso." No momento, o desafio de ACM é de tentar ampliar ao máximoos apoios fora do PFL. O próprio partido tentará insistir numacordo com o PMDB, o que não será fácil. Até agora, o senador sótem os cinco votos do PFL no Conselho de Ética. Seu esforço épara conseguir pelo menos mais três votos e, com isso, assegurara maioria dos 16 votos do Conselho, já que o senador Ramez Tebet(PMDB-MS), na condição de presidente, só vota em caso deempate. Contra ACM estão os três senadores tucanos e os três daoposição, além dos peemedebistas. O PFL tentará desvincular apunição de ACM daquela que será dada a Arruda. A idéia serátentar dar uma suspensão em vez de cassação. "Por que aplicar amaior pena para um delito menor?", perguntou o vice-presidentedo Senado, Edison Lobão (PFL-BA). Ele lembrou que, antes dacassação do mandato, há a advertência verbal e escrita, acensura e a suspensão temporária.DominóA principal justificativa dos pefelistas paraconseguir um acordo com o PMDB é que a cassação de ACM acabariaprovocando um "efeito dominó", atingindo em cheio o presidentedo Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA). Mas no próprio PMDB queexiste reação ao "acordão" ou "pacto". A maior restrição aoacordo é do líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima(BA), um dos principais adversários de ACM na Bahia. "Asresistências são enormes", revela um peemedebista. De qualquer forma, o movimento para evitar a cassação de ACMe a investigação de Jader é rechaçado por vários parlamentares.Muitos acham que o "acordão" poderá causar danos incalculáveisao Senado porque a opinião pública não perdoará ocorporativismo. Eles também acreditam que a hipótese de renúnciaserá deixada para o último momento tanto por ACM como porArruda. "É uma decisão muito pessoal, mas acho que vão tentar atéo fim, na esperança de que se saiam bem e convençam", comentouo senador Jefferson Péres (PDT-AM). "Se o ACM renunciar, aindaterá chances de concorrer a um cargo na Bahia; já para o Arrudaa situação é mais grave porque ele é cristão-novo e suaspossibilidades são bem menores", acrescentou o líder daoposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE). O senador Pedro Simon (PMDB-RS) acredita na "pressãopopular aliada às urnas". Motivo: dois terços dos senadores vãodisputar a reeleição em 2002 e, por isso, não impedirão umainiciativa contrária à opinião pública. "Os interesses escusosque possam surgir serão inferiores ao que se chama de vontade desobrevivência de cada político."

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