ACM toca trombone e puxa marchinha carnavalesca

Cercade 10 mil pessoas, público cinco vezes menor do que o esperado pelo PFL, foram nesta quinta-feira ao Largo do Pelourinho, no CentroHistórico de Salvador, receber o ex-senador Antônio Carlos Magalhães, que desembarcou às 17h30 no aeroporto da cidade.ACM criticou o presidente Fernando Henrique Cardoso, tocou trombone, puxou marchinha de carnaval e deixou o palanque,montado em frente à Fundação Casa de Jorge Amado, carregado por populares.?O Brasil de hoje está abandonado, o pobre nãotem direito a nada, mas nós não vamos deixar que isso continue?, disse o ex-senador. ?Enquanto o presidente da República usao Exército para guardar as suas fazendas, o povo não tem polícia nas ruas para guardar a sua segurança?.O ex-senador voltou a culpar Fernando Henrique pela crise enérgetica e pelo ?apagão moral?. ?Nunca se roubou tanto quantoagora, e não se faz nada para impedir a roubalheira. Vejam vocês, Sérgio Naya e Lalau (ex-juiz Nicolau dos Santos Neto) vão sersoltos, e queriam me tirar do Senado, mas eu vou voltar?, disse ACM, que discursou durante 25 minutos.O pefelista pediu apoio aos baianos para retornar ao Senado em 2002 e deu a entender também que pretende percorrer oBrasil para denunciar as supostas denúncias de corrupção que envolvem o governo federal.Uma multidão recebeu ACM no Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães. Depois de 40 minutos e, em meio a umtumulto, o ex-senador deixou o local ao som do hino nacional e queima de fogos.Ele recebeu uma bandeira brasileira e seguiurumo ao Pelourinho em um táxi. O sindicato dos taxistas de Salvador organizou uma carreata que o escoltou até o CentroHistórico.O ex-senador desembarcou em Salvador ao lado de fiéis carlistas, como os senadores Paulo Souto e WaldeckOrnélas, e foi recepcionado por sua mulher, Arlete, irmãos e netos, além do governador César Borges e o prefeito de Salvador,Antonio Imbassahy. Ninguém da direção nacional do PFL participou do ato de desegravo ao senador.No aerporto, a única frase que conseguia pronunciar era dirigida ao povo baiano. ?Vou voltar para o Senado nos braços daBahia?, gritava.As mesmas palavras foram repetidas três vêzes durante seu discurso, inflamado e emocionado, no Pelourinho.No CentroHistórico, foi recebido por blocos tradicionais do carnaval baiano, como os Filhos de Gandhi e integrantes do Olodum, além decentenas de cabos eleitorais que vieram em ônibus fretados do interior e da Grande Salvador, trazidos por cerca de 300 prefeitoscarlistas.No Pelourinho, outra multidão aguardava o líder baiano, com figuras conhecidas da Bahia, como a cozinheira Dadá e oconselheiro-diretor dos Filhos de Gandhi, Waldemar Souza, o tio Souza.?Todos os orixás estão com o doutor Antônio Carlos etemos certeza de que ele voltará em 2002? disse tio Souza.Empolgado, ACM chegou a puxar até uma marchinha carnavalesca. ?Daqui não saio, daqui ninguém me tira?, repetiu três vezes, antes de ser acompanhado pelo público. O ex-senador prometeu erradicar a pobreza.Lembrou que lutou pelo salário mínimo de R$ 180 contra ?esses malandros todos?.?Ricos e o governo ficaram zagados, mas R$ 180 é muito pouco, vocês precisam de muito mais?, discursou.O ex-senador afirmou que o presidente preferiu atender às ordensdo Fundo Monetário Internacional a construir ?fábricas para dar emprego ao povo?.?Esse miserável desse apagão é fruto de umaordem econômica que não tem consciência do desenvolvimento e que só quer pagar ao FMI?, criticou ACM.?Não será por culpado governador ou do prefeito, mas por culpa do presidente que vocês vão ficar no apagão, na escuridão, que é o que eles querempara roubar mais.?Depois de encerrar o discurso, ACM desceu pela frente do palanque e foi carregado por seguranças epopulares até uma escola do outro lado da rua.Lá, antes de ir embora, foi à sacada, acenou para o público e tocou trombonepara delírio da multidão. A praça estava tomada de grupos musicais, e um novo jingle, preparado exclusivamente para o evento,não parava de tocar. ? Volta meu cabeça branca. Volta por meu povo. Volta pra Bahia?.

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