ACM reafirma que não renunciará ao mandato

O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) descartou hoje renunciar ao seu mandato para evitar um processo de cassação e, com isso, perder os seus direitos políticos por oito anos. Ele está sendo acusado de quebra de decoro parlamentar por participar da violação do painel de votação do Senado. Em entrevista por telefone, ACM disse estar confiante na avaliação que será feita pelos seus colegas, no Conselho de Ética do Senado. "Não penso em renúncia; eu não vou renunciar", insistiu.Apesar da negativa, políticos próximos de ACM garantem que esta hipótese não está descartada, caso fique comprovado que o processo de cassação será irreversível. Neste caso, garante um interlocutor do senador, ele deve renunciar, mas não sem antes virar toda sua artilharia contra o governo e o PMDB do presidente do Senado, Jader Barbalho (PA). "ACM não tem vocação para ser o ´Cordeiro de Deus´, morrendo calado", avaliou a fonte carlista.Mesmo assim, o senador baiano não admite falar na delicada situação em que se encontra. "Eu não vou chegar em ponto crítico algum", acredita. "Tenho certeza de que o Conselho de Ética não fará injustiça comigo."Para ele, o processo de cassação não chegará a ser aberto. "Por isso, não estou preocupado", observou. Ele jogará suas fichas na acareação que fará na quinta-feira com o senador José Roberto Arruda (sem-DF) e a ex-diretora do Prodasen, Regina Borges. ACM e Arruda não devem anunciar nenhuma decisão antes desta data.A estratégia de ACM será a de reverter os votos no Conselho de Ética, para evitar a abertura do processo de cassação. Ele garante que, além do PFL, já conseguiu apoio de senadores de outros partidos. "Mas esses nomes eu não revelo para evitar pressão da imprensa", explica. O processo de cassação é aberto com a aprovação do relatório na conselho. A partir desse momento a renúncia não impede a continuidade do processo.PrazoA expectativa é que em três semanas o senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ), relator do caso, apresente o seu parecer, que será votado logo em seguida pelos 16 senadores que integram o conselho.Esse é o prazo que ACM e o Arruda têm para renunciar aos mandatos sem perder os direitos políticos. Arruda está sendo aconselhado por tucanos a renunciar para poder disputar uma vaga de deputado federal, em 2002.No fim de semana, ACM fez várias consultas para aliados políticos. No sábado, conversou por telefone com o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), para avaliar o quadro. "Foi uma conversa excelente", disse. "O Bornhausen e todo o partido têm sido da maior solidariedade", registrou ACM. Mesmo assim, ele nega que tenha sido procurado por alguns caciques pefelistas para avaliar a possibilidade de "plano B", ou seja, da renúncia. "Ninguém teve a ousadia de me procurar para falar em renúncia", garantiu.A possibilidade de renúncia ganhou força depois que naufragou a tentativa de um acordo entre a cúpula pefelista , o PSDB e o PMDB. Pelo acordo, ACM e Arruda seriam punidos com uma suspensão e não com a cassação. Mas a repercussão deste caso na imprensa e a decisão do PSDB em abandonar Arruda acabaram com qualquer negociação neste sentido.Para ACM, as várias pesquisas que estão saindo nos jornais com os votos dos senadores que são favoráveis ao seu caso. A sua avaliação é de que até agora não existe maioria formada contra ele. "A maior parte dos que votam no Conselho de Ética está em silêncio; só os que não votam ficam falando", observou. "A situação não é tranqüila, mas é uma situação de pessoas que respeitam uma figura como eu."Demonstrando estar bem-humorado, ACM voltou a atacar a cobertura que a mídia está fazendo em relação ao escândalo da lista dos votos. "Não tenho a menor dúvida de que a imprensa está querendo pressionar o Conselho de Ética", atacou. "Se fosse o Arruda e outro senador não teria nada; mas querem derrubar um forte."ManifestoAmanhã , deverá ser divulgado um manifesto de personalidades baianas - entre empresários, políticos, artistas e intelectuais - contra a cassação de ACM. No sábado, ao andar pelo Dique do Tororó, no centro de Salvador, ele foi cumprimentado por diversos populares.Uma pesquisa feita na sexta-feira, pela agência de propaganda Propeg, constatou que o depoimento feito na quinta-feira não afetou a popularidade do senador na Bahia. Pelos números, ele cresceu dois pontos e agora está com 76% das intenções de voto para o governo baiano. Ao todo, foram 400 entrevistas.

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