ACM passa domingo retocando discurso

O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) passa o domingo em seu apartamento, no bairro da Graça, dando os retoques finais ao discurso de renúncia, da próxima quarta-feira. Pela manhã, ele foi saudado pela comunidade do Pelourinho, centro cultural de Salvador que, na quinta-feira, servirá de palco para a festa em sua homenagem. Antes do almoço com a família, ACM desceu até à portaria do prédio para receber flores e doces de um grupo de mulheres que passou a manhã na calçada, entoando músicas folclóricas e prestando solidariedade."Fui injustiçado, mas a Bahia está do meu lado. Meu mandato é aqui. O mandato que o povo me deu e que ninguém me tira", disse o senador, em meio a cumprimentos de populares que passavam e paravam para apertar sua mão. No sábado à tarde, ele já havia recebido homenagem semelhante, sobretudo, dos vizinhos que acenavam e gritavam seu nome das janelas. "Nenhum daqueles senadores tem isso em sua terra. Eles não podem nem sair às ruas", comentou, referindo-se aos colegas que votaram no Conselho de Ética em favor de sua cassação.Em rápida entrevista aos jornalistas, ACM não poupou críticas ao governo. Em relação à pergunta sobre o momento atual, opinou que vê com tristeza. " O povo precisa ser feliz e não está sendo feliz por causa do governo Fernando Henrique". O senador reafirmou que ainda não definiu seu futuro. Mas uma coisa é certa: vai disputar eleições em 2002, seja para retornar ao Senado ou para governo da Bahia. "Vou voltar contra os mesmos adversários", ironizou. Disse que ainda não tem candidatos à presidência da República. "Vou fazer o que a Bahia quiser", completou.ACM revelou também ter recebido telefonemas de políticos e amigos no fim de semana. Ontem, dona Kiola, mãe do senador José Sarney (PMDB-AP), lhe telefonou para manifestar solidariedade. "Estou rezando e torcento muito por você", disse ela, conforme relato de ACM. Ele contou também ter recebido denúncias contra o empresário Percival Maricato, do Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE), que enviou embalagens de pizzas aos 81 senadores há uma semana, irritando os políticos. Um amigo do ex-presidente do Senado mandou-lhe cópias de 16 ações que o empresário está respondendo na justiça de São Paulo. "O PNBE deveria ter arranjado pelo menos alguem de moral para mandar as pizzas e não um vagabundo daquele", reagiu.

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