ACM Neto vê indício de ligação de fundos e esquema de Valério

O sub-relator dos fundos de pensão da CPI dos Correios, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) apresentou estudos que apontam que 12 fundos de pensão investiram maciçamente no BMG e no Banco Rural, em 2003 e 2004. Segundo o deputado, há uma coincidência entre a ampliação dos investimentos dos fundos de pensão no BMG e no Rural com os saques feitos nas duas instituições pelo esquema operado pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.De acordo com o sub-relator, entre 2000 e 2005 os 12 fundos que constam do relatório aplicaram ou reaplicaram R$ 711,619 milhões em aplicações de renda fixa nesses bancos. Ele disse que apenas um fundo, o Real Grandeza (de Furnas), priorizava as duas instituições para seus investimentos durante todo o período. Os outros concentraram os aportes para elas no ano de 2004. "É inegável que os fundos estatais passaram, em 2004, a olhar de forma privilegiada para o Banco Rural e o BMG", declarou.O sub-relator advertiu que é difícil apurar quanto os bancos ganharam com as operações, mas, segundo ele, uma análise preliminar com a média dos investimentos do mercado financeiro aponta uma margem de R$ 70 milhões de lucro possível aos dois bancos. A análise ainda está em aberto e poderá ser revista.Outra versãoA senadora Ideli Salvatti (PT-SC), integrante da CPMI dos Correios, contestou os dados apresentados pelo deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) sobre suposta relação de 12 fundos de pensão com o chamado "valerioduto". A senadora apresentou um documento elaborado pela Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência, responsável pelo acompanhamento do sistema de previdência privada, que registra as aplicações de todos os fundos nos bancos Rural e BMG. Segundo ela, os fundos estaduais e fundos privados investiram de forma mais concentrada nos dois bancos do que os fundos patrocinados por empresas federais, foco da investigação do sub-relator de Fundos de Pensão, Antonio Carlos Magalhães Neto. "Só posso concluir que houve vantagem de mercado para atrair investimentos para esses bancos", destacou. Ideli afirmou que os investimentos dos fundos federais são mais conservadores, sendo que alguns fundos estaduais chegaram a investir mais de 50% de seus recursos nos dois bancos, o que é considerado arriscado pelo mercado financeiro.

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