ACM Neto: DEM perdeu menos com troca de partidos

A despeito das perdas de nomes como Heráclito Fortes e Paulo Bornhausen, que se filiaram ao PSB, o prefeito de Salvador Antônio Carlos Magalhães Neto (ACM) acha que o Democratas (DEM) perdeu menos que outras legendas neste período de troca de partidos. "Não dá para comparar o partido hoje com a época que o PSD não existia", disse.

JOSÉ ROBERTO CASTRO, Agência Estado

08 de outubro de 2013 | 20h37

Aliado do PSDB nas últimas cinco eleições presidenciais, o DEM quer reforçar sua posição nos Estados. Para isso, a ordem é dar liberdade aos diretórios estaduais para que articulem alianças. Segundo ACM, eleger deputados estaduais e federais e montar palanques fortes para 2014 são discussões que vêm antes da decisão sobre quem apoiar para o Planalto ou sobre o eventual nome a ser indicado para vice na chapa do PSDB. "Não é momento de tomar nenhuma posição. Todo mundo sabe qual é a nossa história, a nossa trajetória, quais são os nossos parceiros. Mas isso não significa que vamos estar fechados a dialogar com outras possibilidades. Acho que está cedo para tentar carimbar o destino do DEM para as eleições do ano que vem."

Para ACM, a aliança entre Marina Silva e o PSB fortalece a candidatura de Campos, mas não é possível prever todas as consequência da união dos dois presidenciáveis. "Transferência de voto no Brasil não é simples. Outro ponto: será fácil ou não essa convivência de dois nomes que querem a mesma coisa?", questionou o prefeito, defendendo que existem perguntas que só o tempo será capaz de responder.

Sobre uma suposta perda de espaço daqueles que fizeram oposição ao governo do PT desde o início do mandato, ACM admite erros, mas ressalta que a divisão no campo governista é maior do que nos últimos anos. "O maior desafio de uma candidatura oposicionista é conseguir construir um discurso que tenha conexão com uma proposta de futuro. O mais importante é ter um discurso adequado, ter propostas adequadas e estratégia de mobilização social que dê força e consistência a um projeto."

Há menos de um ano no cargo, o descendente de um dos políticos mais importantes da história da Bahia se orgulha da convivência salutar com os governos estadual e federal, ambos dirigidos pelo PT, adversário de uma vida inteira. ACM contou, em entrevista exclusiva ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que passada a eleição, fez questão de sinalizar ao governador Jaques Wagner e à presidente Dilma Rousseff de que "a disputa tinha se encerrado ali".

"Uma coisa era o papel do parlamentar líder de oposição, outra coisa é o papel do prefeito. Eu não posso usar a prefeitura de Salvador como trincheira política", disse ACM, que esteve em São Paulo para participar de um evento empresarial cujo tema era "Gestão metropolitana: Como inovar na administração pública".

A relação, segundo ACM, é boa porque todos os lados colocam a cidade em primeiro lugar. "Tudo que a presidente faz de bom em Salvador tem o meu aplauso e o meu reconhecimento. Em política, é importante saber dar o crédito".

A prefeitura de Salvador é o que o faz rechaçar a possibilidade de ser candidato ao governo da Bahia. Seu nome foi cogitado nos últimos meses, mas nem a indefinição do DEM, que ainda não sabe se terá candidato próprio, demove ACM.

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