Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

ACM Neto apela para que aliado cotado para ministério não aceite convite

João Roma, deputado pelo Republicanos, foi chefe de gabinete na prefeitura de Salvador do presidente do DEM; nomeação poderia ser ‘carimbada’ como indicação política

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2021 | 18h00
Atualizado 05 de fevereiro de 2021 | 18h59

BRASÍLIA – Acusado de adesismo no próprio partido, o presidente nacional do DEM, ACM Neto, apelou para que o deputado João Roma (Republicanos-BA), seu ex-chefe de gabinete na prefeitura de Salvador, não se torne o próximo ministro do governo Jair Bolsonaro. A nomeação de Roma como ministro da Cidadania era dada como certa nos bastidores do Palácio do Planalto. O atual ministro, Onyx Lorenzoni (DEM), já foi comunicado que será deslocado para a Secretaria-Geral da Presidência. 

ACM Neto conversou com João Roma para demovê-lo de aceitar a indicação. Eles são amigos de longa data. Um aliado da dupla relatou ao Estadão que o deputado já “vestia a roupa de ministro”, mas desistiu. O presidente do DEM saiu da conversa seguro de que “não há a menor chance” de Roma ser ministro. 

Interlocutores de Neto afirmam que ele teve de intervir porque, dada a relação de compadrio entre eles, “ninguém acreditaria” que a nomeação não fosse aprovada pelo presidente do DEM. 

Mesmo sob intensa pressão, Roma não rechaçou ainda virar ministro. Não respondeu nem “sim”, nem “não” ao apelo de ACM Neto. A aliados, o deputado confidencia que o “incômodo” da vinculação de seus nomes é decorrente da crise no Democratas. Pondera, no entanto, ter aspirações pessoais e que deverá se guiar por compromissos partidários do Republicanos. Quem negocia pelo partido é o presidente nacional, deputado Marcos Pereira (SP).

De forma sutil, o Republicanos se aproxima cada vez mais do presidente e abriga dois filhos dele (o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro). Já havia indicado cargos de menor escalão no governo. A busca por um ministério vem desde antes da eleição no Congresso e se fortaleceu com a vitória do Centrão. O Republicanos apoiou os nomes do Planalto na eleição na Câmara (Arthur Lira, Progressistas-AL) e no Senado (Rodrigo Pacheco, DEM-MG).

Deputado de primeiro mandato, Roma é muito ligado a ACM Neto e sua indicação poderia sair carimbada como uma indicação para atender o herdeiro político do “carlismo”, que dominou a política baiana desde a época de seu avô Antônio Carlos Magalhães. No ano passado, Bolsonaro esteve em Vitória da Conquista (BA) e elogiou o “velho ACM”. Além do Onyx, o partido tem outro filiado como ministro, a deputada Tereza Cristina, da Agricultura. Ambos, porém, são escolhas do presidente e não indicações partidárias.

Apesar de rejeitar os “extremos” na política há pelo menos quatro anos, Neto tem dito que não pode, ainda, rechaçar aliança com Bolsonaro para as eleições de 2022, nem com outros nomes de centro.

Em vídeo divulgado nesta sexta-feira, 5, ele negou que vá aceitar compor uma chapa presidencial como candidato a vice-presidente em 2022. “Não serei candidato a vice-presidente da República de Bolsonaro nem de nenhum outro candidato”, disse o ex-prefeito da capital baiana.

Neto disse que jamais aceitou “discutir ou negociar cargos ou espaços” e que o DEM não tem interesse em virar base do governo, apesar de o Planalto considerar o partido aliado. 

O presidente do DEM está sob pressão por efeito das traições na bancada federal do partido. Os cinco deputados baianos, aliados de Neto, se rebelaram publicamente na semana passada e romperam o acordo do então presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para apoiar o deputado Baleia Rossi (MDB-SP) na sucessão. 

Sem acordo, o DEM optou por não apoiar oficialmente ninguém, mas terminou o processo rachado, com ameaça de debandada. Por não conseguir segurar a bancada baiana do DEM, Neto está em colisão direta com Rodrigo Maia. O ex-presidente da Câmara avalia migrar para o PSL e levar consigo parlamentares e prefeitos do Democratas. Nos bastidores, ACM Neto atribui a Maia as acusações de “bolsonarismo”. Rompidos, eles não se falam desde a eleição da Câmara. 

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