ACM nega armação de forças políticas contra FHC

O senador Antonio Carlos Magalhães, que está hospedado em um sofisticado hotel na ilha de Key Biscayne, perto de da cidade de Miami, nos Estados Unidos, negou que esteja com intenção de liderar um arco de forças políticas contra o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas avisou: "Vou assumir uma posição de independência, ou seja, se estiver de acordo com a medida votarei a favor, e se discordar votarei contra". Segundo o senador baiano, o presidente da República decepcionou em suas atitudes. "Ele demonstrou que está leniente com a corrupção ao apoiar a candidatura do senador Jader Barbalho". Ele foi enfático nas críticas a Fernando Henrique, a quem acusou de ter sido desleal com ele e com a memória de seu filho, Luiz Eduardo Magalhães - um dos mais fervorosos defensores da política de Fernando Henrique no Congresso Nacional. Para Magalhães, os atos de exoneração dos ministros da Minas e Energia e da Previdência Social não passaram de vingança contra sua posição de independência. "Ele mesmo reconheceu que os ministros eram pessoas capazes e muitos de seus auxiliares, como Armínio Fraga e Pedro Parente, elogiaram o desempenho dos ex-ministros. ?Portanto, não havia motivo para demiti-los", criticou o senador. Nem mesmo a justificativa de falta de solidariedade, alegada por Fernando Henrique, foi aceita pelo senador: "Quer dizer que para serem fiéis a ele, precisariam ser infiéis a mim? Isto só pode ser teoria de um sociólogo de meia tigela", ironizou o senador, que negou ainda que tivesse pedido cargos. "Se o presidente os colocou naquela função, foi pela capacidade deles". Acusações - Embora não tenha revelado quais os próximos passos, Magalhães advertiu que, em seu retorno ao Brasil, não vai mais se calar diante da corrupção. "Já apresentei provas que comprovam ser Jader Barbalho um corrupto e O Estado de S. Paulo foi o primeiro veículo a publicá-las. E posso garantir que não vou deixar de mostrar evidências sobre corrupção. Na verdade, há mais de dois anos venho enviando cartas ao presidente da República alertando-o sobre os focos de corrupção, e ele sempre silenciou. No Congresso, apresentarei cópias destas cartas". Sobre um possível dossiê contra ele, Magalhães foi enfático: "Ninguém tem dossiê nenhum contra mim. Se tiver, que mostre. Autorizo até O Estado de S. Paulo a publicar qualquer ato de corrupção em que eu esteja envolvido. O que eles falam são apenas acusações sem provas". O senador desmentiu, ainda, que tenha concedido qualquer entrevista à revista IstoÉ - "Sou inimigo da IstoÉ", afirmou -, assim como negou ter revelado o voto da senadora petista Heloísa Helena, que teria votado contra a cassação do senador Luis Estevão de Oliveira: "O painel é inviolável. Várias pessoas supuseram que ela teria votado daquela forma, mas eu nunca disse nada. O painel é inviolável, como o senador Jader Barbalho vai poder comprovar", disse com sarcasmo. Com relação às acusações contra Eduardo Jorge, o ex-auxiliar direto do presidente Fernando Henrique Cardoso, Magalhães fez questão de esclarecer: "Não tenho nada contra Eduardo Jorge, com quem sempre me dei muito bem, mas ele não apresentou o pedido de quebra de sigilo telefônico. Somente autorizou a quebra de sigilo bancário. Eu insisto: devem obter a quebra de sigilo telefônico de Eduardo Jorge, no período entre 1994 e 1998, para saber com quem ele conversou naquela época. Tenho certeza de que descobrirão muitas informações interessantes". Um exílio dourado - O senador baiano, após suas declarações bombásticas, concedeu-se um exílio dourado. Embarcou para Miami e hospedou-se no Sonesta Beach Resort, em Key Biscayne - uma ilha ao lado da cidade de Miami, onde moram ou possuem casa muitos milionários americanos e latino-americanos. Para se chegar à ilha é preciso pagar um pedágio de um dólar. Key Biscayne abriga o Sea Aquarium e o Centro de Tênis de Crandon Park, onde é jogado o Ericsson Open, um dos mais importantes torneios de tênis do circuito internacional. A maioria dos habitantes possui barcos e veleiros, usando-os como meio de transporte para se chegar ao continente. E sua estadia será curta, porque ele confirmou que estará deixando os Estados Unidos entre sexta-feira e Sábado com destino a São Paulo, onde pretende visitar o governador Mário Covas, que se encontra bastante doente.

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