ACM não distinguia adversários de aliados em um bom bate-boca

Senador baiano tinha provocações e respostas afiadas na ponta da língua para as mais diversas situações

André Mascarenhas, estadao.com.br

20 de julho de 2007 | 13h16

Figura polêmica na política nacional, o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), morto nesta sexta-feira, 20, após uma parada cardíaca, tinha provocações e respostas afiadas na ponta da língua para as mais diversas situações. De um comentário da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, que o classificou como o lado "mau" do PFL, à troca de farpas com o senador Aloizio Mercadante em meio a crise do mensalão, ACM não costumava deixar barato a aliados e adversários.  Veja também:Morre o senador Antonio Carlos Magalhães No vídeo mais acessado no YouTube, ACM defende ditaduraFrases do senadorSite oficial do senadorGaleria de Fotos  ACM visita o Estado de S. Paulo   Leia a seguir uma lista de alguns dos mais notáveis bate-bocas do cacique baiano.  Com Ruth Cardoso - Em 1994, durante a campanha eleitoral de Fernando Henrique Cardoso à Presidência da República, ACM reagiu com vigor a um comentário da esposa do candidato, Ruth Cardoso. Em uma de suas primeiras entrevistas, a então futura primeira-dama fez uma declaração que caiu como uma bomba no comitê de campanha. "O PFL tem o ACM e também o Gustavo Krause e o Reinhold Stephanes", afirmou, separando o lado "ruim" e o lado "bom" do partido aliado a seu marido. ACM era o lado ruim. O senador não deixou barato: ofendido, ameaçou romper a aliança. Temendo perder o apoio, FHC desautorizou publicamente a mulher, mantendo o aliado.  Com Sepúlveda Pertence - Em abril de 1997, o então presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, comprou briga com o Supremo Tribunal Federal, depois que o então presidente da corte Sepúlveda Pertence concedeu um habeas-corpus para o ex-funcionário da Prefeitura de São Paulo Pedro Neiva Filho. A decisão impedia a quebra do sigilo telefônico de Neiva Filho, pedida pela CPI dos Títulos Públicos. Ácido, o senador aconselhou Pertence a disputar um mandato eletivo e não usar o tribunal como palanque. "Em qualquer lugar do mundo, juiz só fala nos autos", disse. "O Supremo não é um diretório estudantil."   Com FHC - Também em 1997, ACM trocou rusgas com FHC, em meio às cobranças do ex-presidente por agilidade por nas reformas tocadas pelo Congresso. A Fernando Henrique, o senador sugeriu cautela na hora de falar do Congresso. "O Legislativo virou uma vítima desses ataques", acrescentou. "Estamos dispostos a colaborar com todos, mas se cada um ficar no seu limite de ação, não teremos problemas." Com Pedro Simon - Ainda à frente da presidência do Senado, em 1997, ACM usou a tribuna da Casa para acusar o senador Pedro Simon (PMDB-RS) de "invejoso, ridículo, patético, histriônico e enganador do povo do Rio Grande do Sul". O ataque foi resposta uma resposta do senador baiano às críticas feitas por Simon a ele e ao Senado num programa de TV. Sentado à sua poltrona, no fundo do plenário, Simon ouviu tudo em silêncio. Depois, exigiu o mesmo tempo tido por ACM na tribuna e discutiu com o comando do Senado. Em seu discurso, Simon mostrou ironia e repetiu críticas ao PFL.  Com Aloizio Mercadante - Um dos mais recentes bate-bocas envolvendo o senador baiano aconteceu em meio à CPI dos bingos, em janeiro do ano passado, quando ACM reagiu a um discurso do então líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), que acusou a comissão de investigar tudo, menos o jogo ilegal. Na tribuna, o senador petista criticara o então governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à presidência Geraldo Alckmin por vetar um projeto na Assembléia Legislativa que proibia máquinas caça-níqueis em bares e restaurantes do Estado.  Em resposta, ACM atacou: "V. Exa. já quer interferir na disputa do PSDB (entre Alckmin e o prefeito José Serra). Seu propósito é enfraquecer o candidato que vai derrotar Lula", disse. "O que incomoda é que a CPI está desmascarando todos os atos lesivos ao País acobertados pelo PT, até os crimes praticados pelos petistas contra correligionários, como o assassinato do (ex-prefeito de Santo André) Celso Daniel e do (ex-prefeito de Capinas) Toninho."  "Me conceda um aparte. O senhor fez uma acusação inaceitável. Não pode fazer uma acusação dessas, vocês mataram, olhando para mim", reagiu Mercadante.

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