ACM insiste na apuração de irregularidades

O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) condenou neste domingo a mobilização do Palácio do Planalto para evitar a criação de uma CPI para apurar as denúncias de irregularidade no governo."Se o presidente Fernando Henrique não quer uma CPI, ele próprio deveria entregar para a opinião pública o resultado das apurações feitas no governo", disse ACM, condenando o atraso nas investigações feitas em órgãos do governo.O Planalto reagiu aos novos ataques. "O senador Antonio Carlos está na busca de um palanque para ver se consegue tornar viável sua candidatura presidencial", disparou o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). "Ele quer criar polêmica sem nenhum fato novo, até porque tudo que o ACM revelou até o momento é prato requentado", criticou Madeira. "Quem é oposição tem que criticar tudo o que o governo faz", provocou o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA).ACM revelou que ainda tem 12 denúncias contra o governo. "Tenho novos elementos", ameaçou. Mas sua intenção é se concentrar na cobrança de providências para as denúncias que apresenta envolvendo Sudam, DNER e Companhia Docas de São Paulo (Codesp). "No momento não é do meu interesse ficar só no ataque." Nestas denúncias, ACM pretende retomar as acusações de irregularidade no Porto de Santos.Entre os documentos que carrega o senador baiano, está a auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), enumerando 34 irregularidades no Porto de Santos, e um novo dossiê, entregue pelo empresário Humberto Verda Canna, dono da Potenza Terminais Marítimos Ltda, que tinha um contrato de arrendamento de uma área do Porto de Santos. Ele também levanta denúncias de irregularidades contra a atual diretoria da Codesp.Antonio Carlos diz que gostaria que o governo "evitasse" os seus ataques. Para ele, a melhor forma que o presidente Fernando Henrique teria para inibir suas ações seria tomando providências. "Se eu colocasse as 12 denúncias que tenho de uma única vez, seria tiro para todo lado", alertou.Sobre a matéria da revista Época, em que o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio conta ao Ministério Público "como manipulou a privatização da Telemar", ACM foi categórico: "Quando um assunto como este começa, não tem mais fim." Para o líder governista Arnaldo Madeira, a maior prova de que não existe nada de novo neste caso é que a revista baseou-se num depoimento dado pelo próprio Ricardo Sérgio à Procuradoria da República.Na semana passada, foi o próprio ACM quem assumiu publicamente, em entrevista ao Estado, a autoria das denúncias publicadas pela revista Veja de que Ricardo Sérgio teria recebido uma propina de R$ 90 milhões para ajudar na formação de um consórcio liderado pelo empresário Carlos Jereissati, do grupo La Fonte.Para ACM, Fernando Henrique deveria receber o seu gesto de denunciar irregularidades como uma "colaboração" ao governo dele. "O presidente não deveria ficar irritado com esses problemas; sobretudo com as denúncias que não são diretamente ligadas à ele", ponderou.O senador pefelista relacionou o destaque da mídia às suas acusações sobre a atuação de Ricardo Sérgio a uma demonstração de que o seu peso político no Brasil ainda é grande. "Eu não estava tão morto quanto disseram", ironizou.Ele voltou a elogiar a escolha dos novos ministros pefelistas José Jorge (Minas e Energia) e Roberto Brant (Previdência). "Os dois são meus amigos, mas serão fiéis ao presidente Fernando Henrique", disse ACM. Ele aproveitou para alfinetar o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira. "Os dois novos ministros poderão falar com mais abertura com o presidente do que aqueles que ficam apenas dizendo amém com as coisas erradas, como Aloysio", provocou.Nesta semana, o PSDB terá de resolver uma polêmica interna sobre a indicação do relator da comissão de ética que investiga a possibilidade de violação do sistema eletrônico de votação secreta, em que ACM é o principal suspeito.O líder do PSDB, Sérgio Machado (CE), terá problemas com a indicação do senador Antero de Barros (PSDB-MT) para a relatoria, uma vez que ele é inimigo declarado de ACM.

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