ACM diz que Senado corre risco de descrédito

O ex-presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse nesta segunda-feira, após o discurso de Jader Barbalho, que o fato de o atual presidente da Casa não conseguir se defender das acusações de envolvimento no desvio de verbas do Banpará e da Sudam, obriga os senadores a agir para preservar a imagem do Senado.Segundo ACM, a briga contra Barbalho não é mais sua e sim da própria instituição, que estaria correndo o risco de ficar desacreditada perante a opinião pública.ACM disse que está disposto a apoiar um movimento para afastar Jader Barbalho da presidência da Casa, mas que não vai encabeçar nenhuma iniciativa nesse sentido."A luta é do Senado", defendeu. "Já fiz a minha parte e agora estou pronto para colaborar".ACM chamou a atenção para o fato de nem mesmo os aliados mais fiéis de Barbalho terem se manifestado para apoiar o discurso "que não o defendeu de nada".Ele também apontou como "grave" o fato de Jader Barbalho ter incluído nas alegações para justificar o fracasso de projetos da Sudam a propina que seria cobrada por empresários de São Paulo.No seu entender, a generalização feita por Barbalho no seu pronunciamento obriga-o a apresentar provas do que disse.Para o senador José Agripino (PFL-RN), as palavras de Barbalho podem ter causado um efeito "doméstico" no PMDB, mas não foram o bastante para convencer todos os seus colegas de que estaria sendo vítima da imprensa."Ele deu a seus pares argumentos de defesa", argumentou. "Com relação ao Senado, é outra história".No entender do senador Carlos Wilson (PPS-PE), primeiro-secretário do Senado, Barbalho agiu de pleno direito ao ocupar a tribuna para se defender.Ele afirmou que a estratégia do colega de se calar diante das acusações divulgadas pela revista Veja tinha dificultado bastante sua situação, e, portanto, Barbalho agiu certo ao se defender em plenário."É positivo ele partir para a ofensiva de dar explicações", defendeu.O líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), considerou "muito sério" o fato de Barbalho ter denunciado a intermediação feita por empresários do centro e do sul do País na obtenção de recursos da Sudam.O líder concordou com o senador em que o porcentual de 40% cobrado por essa intermediação "inviabiliza qualquer projeto".No entender do líder do PPS, senador Paulo Hartung (ES), a situação é mais grave do que demonstra a reação do líder governista porque "escancarou a caixa preta da Sudam e da Sudene".Ele disse ter visto o discurso de Barbalho sob dois ângulos: um deles, quanto à necessidade de levar adiante a proposta de criação de uma CPI para apurar corrupção nos órgãos federais: o outro, quanto à necessidade de os parlamentares agirem para impedir que o Congresso continue exposto de forma negativa perante a opinião pública, o que não ocorreria diante do empenho do Ministério Público em apurar as denúncias feitas contra Barbalho.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.