ACM diz que não trará documentos contra FHC

O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) só vai retornar de seu descanso na Flórida no fim de semana e garante que não trará documento algum contra o presidente Fernando Henrique Cardoso em sua bagagem. "Se alguém está dizendo isto é mentira", disse ACM, e completou: "Dou minha palavra de honra que não tratei desta história de dossiê Cayman nem vi ninguém que pudesse falar disso", afirmou, referindo-se a um suposto dossiê sobre contas do presidente e de ministros em paraísos fiscais.ACM antecipa, desde já, que voltará "vitorioso" em suas denúncias de corrupção contra os ministros do PMDB. "Vou ganhar porque o governo não vai se sustentar com estes ministros, ou a corrupção tomará conta da administração pública como ocorreu no governo Collor", insiste o senador. Ao procurador Luiz Francisco de Souza, que ontem voltou a desafiá-lo a apresentar provas de suas acusações, ACM diz apenas que não tem satisfações a dar a ele nem ao Procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro. "Tudo o que eu tiver, direi da tribuna do Senado, nas comissões ou em uma CPI", devolveu ACM, sugerindo que o procurador se cale, "já que o Brindeiro não tem força para calá-lo".O senador insiste que é ele quem tem o direito de cobrar a fita com a gravação da conversa que teve com os procuradores Guilherme Schelb e Eliane Torelli. "O Luiz Francisco é um enxerido que entrava e saía da sala em que eu conversava como convidado", conta ACM, referindo-se à visita que fez aos procuradores, a convite do Ministério Público. "Ele ali era no máximo um repórter da Revista Isto É, e não um procurador", emendou, ao cobrar o diálogo completo que teve com os procuradores. "Quero saber se ele gravou ou se tem boa memória, porque não é possível que só eu tenha falado naquela conversa".Além da briga com o procurador e da guerra pela moralidade administrativa, ACM enfrentará uma batalha interna com o presidente de seu PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). Os dois têm encontro marcado no dia 8, e não será uma conversa fácil. ACM vai dizer que é Bornhausen, e não ele, o culpado pela derrota do partido na disputa pela presidência da Câmara. Argumentará que ele recusou-se até a ameaçar apoio ao candidato da oposição a presidente do Senado, Jefferson Peres (PDT-AM), só para forçar o PMDB a negociar um substituto para Jader Barbalho (PMDB-PA). "Vou dizer a ele a verdade, e ouvir as dele também", antecipa.ACM avisa que não vai "forçar" o debate da independência do partido em relação ao governo, "para que amanhã o PFL não diga que não tem isto ou aquilo". Afinal, o próprio Bornhausen já definiu que não existe independência sem que antes o partido devolva ao presidente os postos que ocupa no governo federal. Mas, segundo o senador baiano, o presidente do partido terá que pagar a promessa que lhe fez, de deixar a presidência ou tornar o partido independente, caso o presidente não demita os ministros Eliseu Padilha (PMDB) e Francisco Dornelles (PPB). Pesa contra o primeiro, denúncias de corrupção no ministério e, contra o segundo, acusações de ter entrado firme na disputa da Câmara para derrotar o líder pefelista Inocêncio Oliveira (PE), em favor do tucano Aécio Neves (MG).

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