ACM: descartar CPI custará caro para o País

O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse hoje que o presidente Fernando Henrique Cardoso "vai pagar um preço alto" por ter trabalhado contra a criação de uma CPI Mista do Congresso para investigar denúncias de corrupção em seu governo. "Os custos do descarte da CPI são tão caros ao País que o presidente da República vai pagar um preço alto, salvo se ele próprio fizer uma investigação para mostrar que botou os ladrões para fora", afirmou Magalhães. Ele criticou o comportamento do presidente para impedir a criação da CPI da Corrupção proposta pela oposição."Infelizmente, o presidente cometeu, desde o primeiro dia de seu governo, o erro de ficar preso às maiorias parlamentares, esquecendo-se das maiorias populares", sustentou Magalhães. Toda vez que ele estiver forte no povo, terá maioria parlamentar. Então, não precisa ceder nem cometer o pecado da simonia, ou seja, negociar coisas sagradas". Esta última afirmação foi feita em referência a notícias de que Fernando Henrique teria negociado a não-assinatura do requerimento da CPI por integrantes dos partidos da base aliada do governo em troca de verbas do Orçamento da União. Apesar das críticas, no entanto, ACM fez também elogios ao presidente, dizendo que "é uma pessoa de bem", mas ressaltou que isso não o faz silenciar em relação aos erros do governo. "Por que Martus Tavares (ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão) segurou as verbas até agora?", indagou Magalhães, ainda a propósito do suposto uso de verbas orçamentárias para abafar a CPI. "O Martus falava que não tinha dinheiro para a pobreza. Por que agora começa a liberar recursos do Orçamento?", questionou.

Agencia Estado,

29 de março de 2001 | 12h43

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