ACM desautoriza Bornhausen a vetar Itamar

O ex-senador Antonio Carlos Magalhães desautoriza o veto do presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), à candidatura do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), ao Palácio do Planalto em 2002.ACM considera natural que o presidente do partido mantenha contatos com todos os grupos para preservar a aliança com o PSDB mas ressalva: "Ele não pode dar nenhuma palavra excluindo qualquer pessoa de qualquer grupo ou partido, até porque o PFL não tem rumo decidido e todos os seus líderes querem opinar".Mais do que isto, o ex-senador admite uma composição com qualquer dos nomes que estão sendo citados nas pesquisas eleitorais, e não apenas o governador do Ceará, Tasso Jereissati (CE), tucano de sua preferência em uma composição com o PSDB."Todos têm os requisitos básicos para presidir o País", avalia, referindo-se não só a Itamar, como ao candidato do PPS, Ciro Gomes, e ao petista Luiz Inácio Lula da Silva.ACM insiste em que, hoje, o jogo eleitoral está aberto a qualquer dos nomes e que o fortalecimento de uma dessas pré-candidaturas só ocorrerá com o tempo, quando as pesquisas apontarem favoritismos. Até lá, adverte, ninguém pode ser apaixonado por uma candidatura nem vetar quem quer que seja.Em sua participação no programa Roda Viva, na segunda-feira, Bornhausen descartou o apoio do PFL a Itamar até mesmo na hipótese de um segundo turno entre o peemedebista e o candidato do PT."Isto não vai acontecer porque o Brasil não merece uma desgraça dessas", disse o presidente do PFL. Mas o que mais irritou ACM foi o fato de Bornhausen também ter descartado o seu apoio a Itamar."Não creio que o senador Antonio Carlos vote nele até porque o Luís Eduardo (Magalhães), de onde estiver, não permitiria", arriscou o senador, para lembrar em seguida que Itamar vetara o nome do filho de ACM para vice na chapa de Fernando Henrique Cardoso à presidência em 1994."Tenho idade suficiente para saber o que fazer", protestou ACM, furioso. O ex-senador cobrou do presidente do PFL que conte a história completa da escolha do vice de Fernando Henrique e se lembre de que ele, Bornhausen, e Marco Maciel também foram rejeitados."Este negócio de veto é muito relativo, porque, se Fernando Henrique quisesse Luís Eduardo para valer, teria enfrentado Itamar", contestou. Lembrou, ainda, uma conversa posterior com o presidente no Rio de Janeiro, em que Fernando Henrique teria acenado com um ministério ou a Casa Civil para seu filho. "O Luís é que preferiu ser presidente da Câmara, no que fez muito bem".Ao saber da resposta de ACM, Bornhausen reagiu com uma frase: "O Luís Eduardo faz cada vez mais falta".ACM também desdenha a idéia das eleições primárias para escolher o candidato do governo na corrida presidencial, que Bornhausen tem vendido com entusiasmo."Esse negócio de primárias é um bom mote de conversa, para ficar distraindo, mas não vai resolver nada". Irônico, o ex-senaddor diz que Bornhausen tem um bom perfil para conduzir as conversas com os demais aliados, porque "tem poucos votos em Santa Catariana" e deste modo, cria poucas arestas. Assim mesmo, o aval às conversas não se estende a decisões."Decisão não é coisa de presidente, mas de partido, o que pressupõe ouvir os líderes regionais." E mantendo seu estilo habitual de disparar críticas ácidas, ACM avalia que o PFL saiu-se "muito mal" do episódio da substituição dos dois ministros baianos."Gosto muito do Roberto Brant (ministro da Previdência), mas ele não está seguindo a orientação do partido quando demite gente competente", criticou. Ele aponta em José Jorge (PFL-PE) um quadro excelente, mas destaca que o senador é no máximo ministro de Minas, "porque o de Energia é o Pedro Parente (chefe da Casa Civil da Presidência)".

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