ACM critica vetos do governo à nova Sudene

O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) teceu duras críticas aos vetos que o governo federal fez à proposta da chamada Nova Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), nesta sexta-feira, em seu escritório político, em Salvador. "A Sudene já renasceu morta", atacou. "Estamos desde 2003 discutindo o novo formato da superintendência, para evitar que os erros do passado se repetissem, e o governo vetou exatamente as disposições que fazem a diferença."O senador citou os vetos à criação do BNB-Par (subsidiária do Banco do Nordeste para investimentos de capital de risco, para a capitalização de investimentos privados), à concessão de benefícios fiscais, à competência do Conselho Deliberativo da Sudene em estabelecer as prioridades na aplicação de recursos - que passa a ser do próprio Executivo - e à obrigação do Executivo de fazer constar da proposta orçamentária anual as dotações para o Nordeste como os principais entraves para o sucesso da superintendência recriada. "Com os vetos, o único propósito da Nova Sudene só pode ser a politicagem", alfinetou. "O governo de Lula continua ignorando o Nordeste e só quem vê perspectivas de mudança é o Jaques Wagner (novo governador baiano, do PT)". O senador aproveitou para criticar a convocação dos suplentes para o período de férias no congresso. "Para que esse desperdício? É imoral." Extinção em 2001A Sudam e a Sudene foram extintas em 2001, no governo Fernando Henrique Cardoso, no rastro de várias denúncias de fraudes e corrupção. No lugar das extintas superintendências, FHC criou as agências regionais de desenvolvimento. Já na campanha à Presidência, em 2002, Lula prometia recriar as instituições. Eleito, enviou os projetos de lei em meados de 2003 ao Congresso, que os aprovou no final do ano passado.MudançasSobre a política baiana, ACM afirma que o PFL local vai passar por uma grande mudança, depois da derrota para o PT nas eleições estaduais. "Vamos reestruturar e reorganizar nossos quadros e escolher um novo presidente até abril", disse. "Vamos trabalhar intensamente, inclusive contratando advogados para defender os membros do partido. E atacar a oposição, quando for o caso."O senador não quis, porém, apontar os nomes das novas lideranças locais do partido, nem cogitar nomes de candidatos para as próximas eleições majoritárias. Sobre a pretensão de seu neto, deputado federal ACM Neto (PFL-BA) - que recentemente admitiu sonhar com o governo do Estado -, ele limitou-se a comentar que, por enquanto, isso é apenas um sonho. "Ser governo é destino." Sobre as perspectivas do governo de Wagner, ACM mostrou-se bem-humorado. "Só vou fazer análises daqui a seis meses, mas espero que ocorra um milagre, porque essa equipe que o Wagner montou não é boa", comentou. "Milagres são raros, mas acontecem."

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