ACM critica FHC e defende Tasso em 2002

O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) fez hoje pesadas críticas ao presidente Fernando Henrique Cardoso, dizendo que a "corrupção campeia no País", defendeu a candidatura do governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), à presidência da República em 2002 e disse que vai atuar de forma independente a partir de agora. Ao participar de uma solenidade no Palácio de Ondina, sede do governo baiano, ACM disse que houve compra de parlamentares na sucessão da Câmara e do Senado. Além disso, queixou-se que FHC, depois de incentivar, abandonou a candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado e acabou influenciando a eleição de Jader Barbalho (PMDB-PA). ACM informou que atuará de forma independente e gabou-se de ter obrigado o governo federal a adotar as medidas consideradas por ele as mais interessantes dos últimos anos, como a criação do Fundo da Pobreza e a instituição do salário mínimo de R$ 180. Veja a seguir os principais trechos da entrevista: Pergunta - As últimas colocações do senhor, comparando o presidente Fernando Henrique Cardoso ao presidente eleito do Senado, Jader Barbalho, podem ser entendidas como uma declaração de guerra ao Planalto? ACM - Não é uma declaração de guerra. Faltou um ponto de interrogação na frase: Fernando Henrique e Jader são iguais? Esta foi a pergunta e não saiu a interrogação. É claro que eu não posso aceitar interferência indébita de ministros, que não são os mais qualificados moralmente, num pleito que é exclusivamente do Congresso e que o presidente disse que era inteiramente eqüidistante. Se o presidente disse que era eqüidistante e seus ministros participaram, evidentemente que o governo não foi eqüidistante e isso, portanto, deve ser corrigido imediatamente. O PFL é um partido que está pronto para colaborar, mas não é subserviente. Pergunta - O senhor viu, então, interferência do governo na sucessão do Congresso... ACM - Houve interferência direta de ministros, compra de parlamentares (é só ver o Diário Oficial com as verbas), houve compra através de empreiteiros, conforme está aqui grampeado e um diretor (de empreiteira) fez uma carta ontem, dizendo que o nome dele não aparece na gravação (das conversas dos deputados baianos que trocaram o PFL pelo PMDB): o senhor Cláudio Melo aparece cinco vezes. Consequentemente, ele mentiu e eu digo hoje que ele mentiu. Isso tudo faz com que o País não entre numa rota de correção. O presidente Fernando Henrique pode ter êxito econômico, mas se não tiver êxito moral, o governo desabará no fim. Eu já vi essa esta história muitas vezes. Se ele (FHC) é um vencedor na área econômica, não pode ser um vencido na área moral. Pergunta - O senhor se sente traído pelo presidente Fernando Henrique? ACM - Não me sinto traído pois não combinei nada com ele, salvo, no início da candidatura Sarney, quando ele a incentivou. Posteriormente, lhe negou o apoio devido. Pergunta - Essas mudanças no Congresso, com uma nova correlação de forças, terão influência na eleição presidencial de 2002? ACM - Está muito cedo para 2002. Nós temos praticamente um ano e nove meses. Estes fatos não interessam nada a 2002. O jornalista que observa assim é que tem uma visão curta, pois os fatos se sucedem a toda hora e movimentam a política brasileira. Eu quero que meu partido tenha um candidato. Não podendo ter, um nome que faça aliança com um homem de moralidade e capaz, que possa fazer a redenção do País em vários setores, sobretudo no Nordeste, esse nome é, sem dúvida, o do governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB). Pergunta - E o futuro da aliança do PFL/PMDB/PSDB? ACM - Vai depender exclusivamente do presidente Fernando Henrique. A manutenção da aliança passa por modificações que ele pode fazer ou não em função daqueles aspectos que eu falei. Não é possível privilegiar parlamentares que são amorais e vendem voto no momento tão difícil da vida pública brasileira. A moralidade ainda será por muito tempo a bandeira deste País. Não existe só agora, vem de longe, mas sobretudo neste momento o presidente Fernando Henrique não pode deixar que o Brasil entre num quadro de dificuldades perante o mundo, com a sina de País que não tem moralidade e a corrupção campeia. Pergunta - Quais as prioridades políticas do senhor daqui para frente? ACM - Sempre as mesmas: defender a Bahia a todo o custo. A Bahia não será retaliada, ninguém tem coragem de fazê-lo, se o fizer haverá reação deste povo que eu amo, estimo e está comigo. Fora daí também vou discutir os temas nacionais, os temas baianos, vou ser um senador atuante, meu mandato não acabou no dia 14 de fevereiro, eu continuo o mesmo, com a mesma coerência, servindo a Bahia. Eles não acreditavam no Fundo da Pobreza e hoje é o fundo que utilizam para dar bolsa-escola e outras coisas mais. Quantas vezes ele (FHC) me telefonou pedindo para apressar o Fundo da Pobreza, mas inicialmente ele foi contra quando estava nos Estados Unidos e México. Ele foi contra a CPI do Judiciário, mas a CPI fez um trabalho excelente (também aqui de minha autoria) e do relator (senador) Paulo Souto (PFL-BA) e conseguimos botar na cadeia o juiz Lalau e indicamos outros tantos que merecem o mesmo destino. Ele (FHC) foi contra o salário mínimo mas aceitou o mínimo porque ACM foi lá brigar com correligionários e adversários para que dessem R$ 180 que é pouco e precisa aumentar. Essas e tantas outras são coisas que eu fiz, forcei o governo a fazer para servir ao povo brasileiro. Pergunta - O senhor vai adotar uma postura mais crítica em relação ao governo? ACM - Serei um homem que apoiará todos os atos corretos do presidente Fernando Henrique, e são muitos, e apoiarei todas as críticas que forem feitas para melhorar o problema social e acabar de vez a corrupção no Brasil. Pergunta - Esses acontecimentos em Brasília terão reflexos na política baiana? ACM - Não terão nenhuma importância na política baiana. Faça (pesquisa do) Ibope e verá quais serão os resultados. Nós somos invencíveis pois somos éticos, desenvolvemos o Estado dentro da moralidade, estamos dando exemplo ao País. Enquanto o País não tinha reforma nenhuma, a Bahia já tinha reformado todo o seu aparelho administrativo e é hoje capaz de realizar o desenvolvimento do seu povo. Pergunta - Qual deve ser o rumo do PFL agora? ACM - O PFL tem um presidente capaz, que é o doutor Jorge Bornhausen (SC), que, ao contrário do que a imprensa diz, se dá muito bem comigo, e ele vai traçar as linhas do diretório na próxima reunião no dia 8. Pergunta - O senhor acha necessário fazer uma reforma ministerial? Quem o senhor tiraria do Ministério? ACM - Eu não tirarei, nem tiraria ninguém. O presidente Fernando Henrique é que deve saber quem ele mantém e quem ele tira. Quem ajuda o seu governo e quem macula. Pergunta - O senhor acha necessário uma reforma neste momento? ACM - É um problema dele (FHC).

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