ACM condena FHC por ser contra CPI

O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) condenou hoje a pressão do presidente Fernando Henrique Cardoso para evitar a criação de uma CPI para apurar as denúncias de irregularidade no governo. "Se o presidente Fernando Henrique não quer uma CPI, ele próprio deveria entregar para a opinião pública o resultado das apurações feitas no governo", disse ACM, condenando o atraso nas investigações feitas em órgãos do governo.O Planalto reagiu aos novos ataques. "O senador Antonio Carlos está na busca de um palanque para ver se consegue tornar viável sua candidatura presidencial", afirmou o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP). "Ele quer criar polêmica sem nenhum fato novo, até porque tudo que o ACM revelou até o momento é prato requentado", criticou Madeira. "Quem é oposição tem de criticar tudo o que o governo faz", provocou o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA).ACM revelou que ainda tem 12 denúncias contra o governo. "Tenho novos elementos", garante. Mas a intenção dele é concentrar na cobrança de providências às denúncias que apresenta envolvendo a Sudam, DNER e Companhia Docas de do Estado de São Paulo (Codesp). Nestas denúncias, ACM pretende retomar as acusações de irregularidade no Porto de Santos (SP).ACM diz que gostaria que o governo "evitasse" os ataques. Para ele, a melhor forma que o presidente Fernando Henrique teria para inibir as ações dele seria tomando providências. "Se eu colocasse as 12 denúncias que eu tenho de uma única vez, seria tiro para todo lado", alertou.Sobre a suposta manipulação da privatização da Telemar pelo ex-diretor do Banco do Brasil (BB) Ricardo Sérgio, ACM foi categórico: "Quando um assunto como este começa, não tem mais fim." Na semana passada, foi ACM quem assumiu publicamente a autoria das denúncias de que Sérgio teria recebido uma propina de R$ 90 milhões para ajudar na formação do consórcio Telemar liderado pelo empresário Carlos Jereissati, do grupo La Fonte.Para ACM, Fernando Henrique deveria receber o gesto dele de denunciar irregularidades como uma "colaboração" ao governo. "O presidente não deveria ficar irritado com esses problemas, sobretudo com as denúncias que não são diretamente ligadas a ele", afirmou.Ele voltou a elogiar a escolha dos novos ministros de Minas e Energia, José Jorge, e da Previdência Social, Roberto Brant. "Os dois são meus amigos, mas serão fiéis ao presidente Fernando Henrique", disse ACM. Ele criticou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira. "Os dois novos ministros poderão falar com mais abertura com o presidente, do que aqueles que ficam apenas dizendo amém com as coisas erradas, como o Aloysio", provocou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.