ACM aprofunda crise na base aliada

A divulgação pela revista IstoÉ da conversa do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) com os procuradores da República, na qual insinua que o presidente Fernando Henrique Cardoso pode estar diretamente envolvido em irregularidades, caso seja aprofundada as investigações sobre o ex-secretário-geral da Presidência, Eduardo Jorge Caldas Pereira, fez explodir a crise política na base governista.O senador Antônio Carlos Magalhães viu publicadas em detalhes trechos de sua conversa em que acusa também ministros do Supremo Tribunal Federal, parlamentares e afirma saber que colegas teriam votado contra a cassação do ex-senador Luiz Estevão, numa confissão explícita de um crime.O senador, que já vinha sendo responsabilizado pelas seguidas derrotas do PFL nas disputas com os demais partidos da base governista, foi abandonado pelo partido. Em nota oficial, o presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC), reprovou a reunião do senador com os procuradores e defendeu o presidente Fernando Henrique que ?está acima de qualquer suspeita?.Em conversas com interlocutores do partido, Bornhausen deixou claro que o presidente tem respaldo do partido para demitir os apadrinhados de ACM, começando pelos ministros de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, e da Previdência, Waldeck Ornélas.O senador baiano também perdeu o abrigo da oposição que decidiu pedir sua cassação por haver quebrado o sigilo dos votos dos parlamentares na cassação de Luiz Estevão.O senador Antônio Carlos negou que tenha tratado de qualquer um desses assuntos na visita que fez ao Ministério Público Federal. Segundo o senador, que está em viagem aos Estados Unidos, ele discutiu a Lei da Mordaça e os limites impostos aos procuradores por uma medida provisória que já foi completamente alterada pelo governo.A resposta de ACM veio depois de um aviso do líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF). Após uma conversa telefônica com o presidente, o senador disse que Fernando Henrique esperava uma confirmação de ACM sobre a veracidade das declarações para tomar qualquer atitude. Um dos procuradores que esteve presente à conversa, Luiz Francisco de Souza, garantiu que os trechos da conversa publicados por IstoÉ são verdadeiros. Os outros dois procuradores desautorizaram ?qualquer divulgação sobre o conteúdo da referida reunião? em nota oficial, que não foi assinada por Souza.

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