Acidente matou presidente e líder da oposição da Polônia

Queda de aeronave, em abril de 2010, foi motivada por falha humana e matou também os principais dirigentes poloneses

O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2014 | 21h58

Em abril de 2010, menos de seis meses antes das eleições presidenciais, um acidente aéreo matou o presidente da Polônia e candidato à reeleição, Lech Kaczynski, a primeira-dama, Maria, e o líder da oposição e também candidato, Jerzy Szmajdzinski. No acidente, morreram também os principais dirigentes poloneses, entre eles o ex-presidente no exílio, Rysyard Kacyorowski, o presidente do Banco Central polonês, parlamentares, os comandantes das Forças Armadas, o porta-voz do governo, o vice-presidente do Parlamento, o vice-chanceler, o chefe de gabinete de Segurança Nacional.

Na aeronave, estava ainda Anne Walentynowicz, ícone da luta operária contra o comunismo na Polônia e cofundadora do movimento Solidariedade. Foi sua demissão do estaleiro de Gdansk que levou o sindicato Solidariedade a iniciar a pressão que acabaria derrubando o governo e o comunismo na Polônia.

A queda do Tupolev, pertencente ao governo polonês, matou 96 pessoas que viajavam para a Rússia. A tragédia ocorreu quando a comitiva ia para uma cerimônia em homenagem aos 70 anos massacre da Floresta de Katyn, quando 20 mil soldados poloneses foram mortos por tropas russas durante a 2.ª Guerra. No massacre de Katyn, ocorrido em 1940, além dos militares também foram mortos a elite intelectual e acadêmica polonesa. A matança foi sempre negada pela União Soviética, que acusava os alemães. A viagem fazia parte do esforço de reaproximar o governo russo e polonês, que nunca teve acesso aos arquivos do caso. “Aquele é um lugar maldito”, disse na época o ex-presidente polonês Aleksander Kwasniewski.

As investigações sobre a queda do avião apontaram como causa falha humana. As gravações registradas na caixa-preta indicaram que o piloto teria tomado decisões equivocadas na hora de aterrissar e teria ignorado as orientações da torre para não pousar no aeroporto de Smolenesk por causa das péssimas condições meteorológicas. O piloto não seguiu as instruções e aproximou-se em altitude insuficiente atingindo as copas das árvores antes de tocar o solo. Por causa da tragédia, as eleições foram antecipadas para junho. O irmão gêmeo do presidente Kaczyinski, Jaroslaw, foi o candidato da situação, e Bronislaw Komoroviski da oposição. Komoroviski, que assumiu o governo provisório após o acidente, venceu no segundo turno. 

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