''Acho que nós podemos servir de modelo''

Entrevista - Barros Munhoz: presidente da Assembleia

, O Estadao de S.Paulo

06 de abril de 2009 | 00h00

Eleito com o voto de 92 dos 94 deputados no último dia 15, o novo presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Barros Munhoz (PSDB), defendeu que a Casa que comandará até 2010 é um modelo para o País na gestão dos recursos públicos. Munhoz diz que pode haver "excessos" nos gastos, mas pondera que não se trata de um problema restrito à área pública. "Qualquer órgão ou empresa precisa ser melhorado." Sobre algumas regalias, como a existência de gabinetes para ex-presidente, ex-1º secretário e ex-2º secretário, com direito a nomeações de cargos e veículo oficial, entre outros, Munhoz é taxativo: "É difícil revogar conquistas alcançadas", diz. E adianta que não tomará iniciativa para mudar a ordem das coisas. Com as denúncias de inchaço e desperdício de recursos públicos no Congresso, foi retomada a discussão sobre a redução de gastos nos Legislativos em todo o País. A Assembleia paulista está disposta a fazer corte de regalias?Acho que enfrentamos problemas como toda instituição pública ou privada. Qualquer órgão ou empresa precisa ser melhorado. Mas, em comparação aos Legislativos País afora, acho que podemos servir de modelo. A Assembleia de São Paulo é a que menos gasta.É modelo ter regalias como gabinetes especiais para deputados que deixaram cargos na Mesa?Acho o trabalho da imprensa magnífico ao levantar esses excessos, mas você também não conserta de um dia para a noite. São problemas que vêm se acumulando ao longo de 30, 40 anos. Claro que temos defeitos, mas eles são tão pequenos perto das aberrações que vemos na imprensa sobre o Congresso.Qual a relevância desses gabinetes para o trabalho parlamentar?É difícil revogar conquistas alcançadas. Não vou entrar no mérito de se deve ter ou não. Quando isso foi criado lá atrás a justificativa é de que funcionaria como uma transição, porque a diferença de estrutura de um gabinete comum com os da Mesa Diretora é brutal. O sr. está disposto a iniciar um debate na Casa para acabar com esses gabinetes?É, sem dúvida, uma questão a ser discutida pela Casa. Mas acho também que isso tem que ser feito pela próxima Mesa. Não vou fazer isso agora. Agora, repito, acho saudável o debate.Não é desperdício criar mais dois gabinetes para vice-presidentes, quando a Casa já tem duas vice-presidências?Não acho absurdo. Absurdo é a Assembleia ter 2 mil pareceres do Tribunal de Contas do Estado sobre contratos do governo parados na pauta à espera de votação. Na semana passada votamos 20 e nesta semana, outros 30. Vamos limpar essa pauta.

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