'Acho que ele não deveria ser candidato', diz Barbosa sobre Lula

Ao Valor Econômico, ex-ministro do STF nega que disputará as eleições em 2018, mas diz que 'não é hipócrita' e 'percebe este potencial'

O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2017 | 11h26

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa disse, em entrevista ao Valor Econômico publicada nesta sexta-feira, 1, que não acredita que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve voltar a se candidatar ao Planalto. “Acho que ele não deveria ser candidato. Vai rachar o País ainda mais”, disse. Cotado para disputar as eleições em 2018, Barbosa nega que será presidenciável, mas diz que “não é hipócrita” e “percebe este potencial”.

“Não sei como são feitas essas pesquisas em que colocam meu nome, mas não sou hipócrita”, disse o ex-ministro à publicação. “Ando nas ruas, nos aeroportos e por onde vou as pessoas me abordam. Percebo que há esse potencial, mas não incentivo nem tomo qualquer iniciativa para alimentar isso.”

Barbosa destacou sua admiração pelo governador do Espírito Santo Paulo Hartung (PMDB). “Se eu entrasse nisso (na política), iria chamá-lo”, disse.

O ex-ministro disse ainda que “Michel Temer deveria ter tido a honradez de deixar a Presidência”. Comparou a denúncia contra o peemedebista, feita pela Procuradoria-Geral da República, e o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e disse que “não há parâmetro de comparação entre a gravidade dos fatos”.

Para Barbosa, há um retrocesso institucional no Brasil. “Nosso País foi sequestrado por um bando de políticos inescrupulosos que reduziram nossas instituições a frangalhos. Em nenhum País do mundo um chefe de governo permaneceria um dia sequer no cargo depois de acusações tão graves quanto aquelas que foram feitas contra Temer”, disse.

As reformas trabalhista e previdenciária são importantes, na visão de Barbosa. Porém, considera “muito grave que estejam sendo conduzidas por um governo que não foi respaldado pelo voto”. Sobre a reforma política, Barbosa disse ser favorável a um financiamento público moderado e à redução do tempo de campanha.

Na entrevista, Barbosa não quis falar abertamente sobre Judiciário, Supremo e Lava Jato.

Sem citar nomes, ele criticou o modelo do parlamentarismo. “Essa gente é tão sem escrúpulos que vai tentar impor o parlamentarismo para angariar a perpetuação no poder e se proteger das investigações”, disse. O sistema de governo já foi defendido por alguns nomes no Congresso, pelo presidente Michel Temer e pelo ministro da Corte Gilmar Mendes.

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