Acerto começou a ser costurado na véspera

O acordão fechado ontem entre presidentes e líderes de partidos aliados na reunião do Conselho Político do governo começou a ser costurado na véspera, em meio à votação da reforma política na Câmara. Um interlocutor do governo diz que o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), apressou o encerramento da sessão para dar tempo ao Planalto de fechar entendimento, mirando a aprovação da emenda que prorroga a CPMF. "Foi algo indescritível, melancólico, deprimente", queixou-se ontem Ronaldo Caiado (DEM-GO). "É o Planalto que bate o sino e determina hora de encerrar a sessão, tutelando outro Poder", completou o deputado e relator do projeto de reforma política. A assessoria técnica da Mesa da Câmara atesta que a disposição de Chinaglia era a de votar, desde que houvesse acordo, e diz que ele não cometeu ilegalidade. Pelo regimento, cabe ao presidente decidir se quer ou não acrescentar ao final da sessão os minutos em que os trabalhos foram suspensos para facilitar a negociação entre os líderes. Nada o obriga a fazê-lo. Segundo Caiado, naquele momento os líderes do PT, DEM, PSDB e PMDB estavam unidos e orientaram suas bancadas a votar na mesma direção, contra os interesses dos pequenos partidos. "Ficou claro que PP, PTB e PR estavam ilhados, sitiados junto com o PDT, que perderia a votação de seu requerimento", avaliou. "Havia uma maioria e iríamos ganhar."Diante da irritação do deputado do DEM, o líder petista, Luiz Sérgio (RJ), fez questão de explicar-lhe que não haveria votação pois o PT iria obstruir. A preocupação de Chinaglia, do líder e do vice-líder governista Henrique Fontana (PT-RS) era a mesma do Planalto - ganhar tempo até a reunião do Conselho Político para costurar entendimento com as pequenas legendas. Segundo um aliado do governo, PP, PTB e PR ameaçavam negar voto à CPMF caso fossem atropelados na reforma política.

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