Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Acenos de Alckmin agradam Planalto, mas não garantem acordo eleitoral

Fala do governador, que se opunha à participação do PSDB com cargos no governo, tem como pano de fundo a intenção de abrir uma janela de conversas para 2018

Felipe Frazão e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

11 Dezembro 2017 | 19h54

BRASÍLIA - O governo viu com satisfação o discurso inaugural do governador paulista, Geraldo Alckmin, que no sábado, 9, assumiu o comando do PSDB com acenos de reconhecimento ao governo Michel Temer. Alckmin disse que o partido apoia e participa da agenda de reformas do peemedebista e assegurou ser pessoalmente a favor de que o partido imponha a seus parlamentares voto favorável à reforma da Previdência. Uma declaração simbólica, porque a executiva tucana não cogita punir quem votar contra. Contas levadas ao governo por tucanos indicam que o apoio pode chegar a 35 de um total de 47 deputados, mas atualmente está na casa dos 20 votos.

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Apesar da boa recepção no Palácio do Planalto ao discurso do governador, ministros e assessores de Temer dizem que as conversas estão longe de chegar a um acordo eleitoral de apoio do governo ao tucano em 2018. A fala de Alckmin, que se opunha à participação do PSDB com cargos no governo, tem como pano de fundo a intenção de abrir uma janela de conversas que ele mesmo quase cerrou para aliança eleitoral no ano que vem.

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Um auxiliar do presidente diz que Temer sempre manteve diálogo com o governador. Tucanos muito próximos a Alckmin acompanharam as últimas agendas de Temer com empresários em São Paulo.

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Nem o governo nem o PSDB descartam caminhar juntos, mas o Planalto continua tendo como prioridade unir o bloco governista com PMDB, DEM, PP, PR, PSD, PRB e PTB em torno de uma candidatura própria que defenda o legado de Temer. Os nomes mais fortes hoje são o do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD) e o do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O raciocínio de ministros e assessores de Temer tenta explorar um chamado à coerência do PSDB. Dizem que se faltar voto para aprovação o PSDB terá culpa e deputados podem ser os novos Kandir, em referência ao ex-deputado que votou contra a idade mínima sugerida pelo governo FHC, em 1998. Argumentam que o partido que sempre defendeu a reforma da Previdência, fundamental para o equilíbrio fiscal, e que Alckmin será cobrado nos debates durante a campanha de 2018 por eleitores e empresários se o partido não for amplamente favorável ao tema. Por isso, interpretam que Alckmin age pensando em si mesmo, apesar de suas palavras soarem agora convenientes aos interesses do bloco governista. 

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