Acareação entre Costa e Cerveró na CPI mista será em dezembro

Comissão que investiga denúncias de irregularidades na Petrobrás marca para o dia 2 encontro entre os ex-diretores da estatal

Ricardo Brito , O Estado de S. Paulo

21 de novembro de 2014 | 11h55

Brasília - A CPI mista da Petrobrás marcou para o dia 2 de dezembro uma acareação entre o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e do ex-diretor da Área Internacional da companhia Nestor Cerveró. Na terça-feira, 18, após a oposição se articular com integrantes da base aliada, a comissão aprovou uma série de requerimentos de convocação de envolvidos no escândalo de corrupção e ainda decidiu quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, entre 1º de maio de 2005 e 20 de maio deste ano.

A acareação entre Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró colocará frente a frente acusador e acusado. Em delação premiada, Costa afirmou que Cerveró recebeu propina em contratos na Petrobrás, acusação negada pelo ex-diretor da Área Internacional. O pedido para colocá-los frente a frente foi apresentado pelo deputado Ênio Bacci (PDT-RS). "Acho que a acareação faz parte das investigações e nenhuma CPI tem usado muito. Aquele que é convocado, no mínimo, vai dizer algo de forma oposta (ao acusador)", afirmou o autor do requerimento.

No calendário de depoimentos marcados, entretanto, a comissão ainda não agendou dois depoimentos considerados importantes pela oposição: o do presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado, e do ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque. Os trabalhos da CPI, que se encerrariam neste domingo, 23, foram prorrogados até 22 de dezembro.

Machado foi chamado para explicar, entre outros fatos, a acusação feita por Paulo Roberto Costa de que recebeu, das mãos de Sérgio Machado, R$ 500 mil dentro do esquema de pagamento de propina que envolve a estatal. Indicado para o cargo em 2003 pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Machado pediu o afastamento do cargo no início do mês por 31 dias após a auditoria PriceWaterhouseCoopers (PWC) ter exigido a saída dele da subsidiária da estatal como condição para auditar os balanços da Petrobrás.

Indicado pelo PT, Duque, por sua vez, foi apontado em uma delação premiada feita por um executivo de uma construtora como o "elo" entre o clube de construtoras que loteavam as obras da Petrobrás e o esquema de pagamento de propina a políticos e agentes públicos. Cabe ao presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), marcar as datas das reuniões. Vital chegou a dizer que iria priorizar, nos depoimentos a serem agendados, a convocação daqueles que estiverem presos - como é o caso de Renato Duque.

Depoimento. A comissão marcou para a próxima terça-feira, 26, o depoimento da diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Magda Chambriard, e do gerente-Geral de Implementação de Empreendimentos para a Refinaria Abreu e Lima, Glauco Legati. Magda foi convidada, o que significa que, pelo regimento interno, ela pode se recusar a comparecer. Glauco, por sua vez, foi convocado, medida que o obriga a ir ao colegiado.

No dia seguinte, 27, a CPI mista agendou a convocação de Márcio Bonilho, sócio da Sanko-Sider. Bonilho apareceu em um dos diálogos gravados com o doleiro Alberto Youssef. Na conversa interceptada, o doleiro reclama de Paulo Roberto Costa.

A comissão marcou o depoimento do ex-diretor da Área de Gás e Energia da Petrobrás Ildo Sauer.

O colegiado ainda quer convocar o ex-diretor da Área de Gás e Energia da Petrobrás Ildo Sauer. Em setembro, Sauer disse em entrevista ao Broadcast que o "governo de coalizão" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permitia que partidos políticos indicassem dirigentes para a estatal para obter "ajuda". Recentemente, Sauer teve os bens bloqueados no processo do Tribunal de Contas da União (TCU) que envolve a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).

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