Ação reúne pelo menos 6,5 mil ativistas

No DF alvo foi pasta da Agricultura, e não Desenvolvimento Agrário

Fabíola Salvador, José Maria Tomazela, Ricardo Rodrigues, Angela Lacerda e Evandro Fadel, O Estadao de S.Paulo

10 de março de 2009 | 00h00

Em ação que surpreendeu o Ministério da Agricultura, seguranças e a Polícia Militar, centenas de mulheres sem-terra ligadas à Via Campesina ocuparam ontem o andar térreo da pasta, em Brasília. Elas aproveitaram o Dia Internacional da Mulher, comemorado na véspera, para mobilização em vários Estados, disse Itelvina Masioli, coordenadora nacional da Via Campesina. De fato, o balanço mostra que pelo menos 6,5 mil sem-terra participaram de ações ontem em 8 Estados e no Distrito Federal. Galeria de fotos: Confira as manifestações pelo PaísO protesto em Brasília foi contra a falta de recursos para a safra da agricultura familiar, o modelo de exportação de commodities agrícolas e para denunciar a lentidão na reforma agrária. O Ministério do Desenvolvimento Agrário, cujo prédio fica a poucos metros do local invadido, não foi importunado.Vindas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Goiás, Minas e do entorno do Distrito Federal, as manifestantes chegaram em ônibus por volta das 7h30. Segundo a Via Campesina, 600 mulheres e crianças participaram da ofensiva em Brasília. A Polícia Militar estima em 400 o número de manifestantes.Na confusão, um segurança saiu levemente ferido e duas portas de vidro foram quebradas. O ministro Reinhold Stephanes amenizou o episódio. "O movimento chegou, mostrou suas reivindicações e não interrompeu as atividades do ministério", avaliou Stephanes. PONTALCerca de 200 mulheres ocuparam ontem a frente do escritório regional do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) em Presidente Prudente, no Pontal do Paranapanema. A ação foi liderada por Deolinda Alves de Souza, mulher do líder dissidente do MST José Rainha Júnior. Foi entregue um manifesto pedindo a transferência do comando da reforma agrária no Estado para o Incra. "O Itesp deve continuar dando assistência técnica aos assentamentos, mas a arrecadação de terras deve ser feita pelo Incra, pois é de lá que sai o dinheiro", disse Deolinda.Em Alagoas, 1,5 mil sem-terra ocuparam a fazenda Campo Verde, do ex-deputado João Lyra (PTB). Eles reivindicam a desapropriação da fazenda, no município de Branquinha, para fins da reforma agrária. Os sem-terra disseram que vão substituir a cultura da cana-de-açúcar pelo plantio de feijão e milho.DETENÇÃOUm integrante da direção do MST em Pernambuco, Charles Afonso de Souza, foi detido durante manifestação de mulheres na Usina Cruangi, no município de Aliança. Ele teria agredido o comandante da operação. Levado à delegacia, foi autuado por desacato e liberado em seguida. Segundo a PM, cerca de 60 mulheres participaram da manifestação.No Paraná, 1,2 mil mulheres participaram de manifestações em Porecatu. De acordo com a PM, o protesto foi pacífico, sem incidentes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.