Ação no STF pode ser bomba eleitoral em 2010, calculam lulistas

Surpreendidos pelo resultado eespecialmente pela velocidade com que o Supremo TribunalFederal (STF) decidiu abrir ação penal contra os 40 réus docaso mensalão, auxiliares diretos do presidente Luiz InácioLula da Silva avaliam que o governo pode estar diante de umabomba política de efeito retardado. Os ministros do STF estão dando indicações de que ojulgamento da ação será acelerado e, por uma previsão doministro Marco Aurélio Mello, poderia ocorrer em dois anosmeio, coincidindo com a abertura da sucessão presidencial de2010. "De imediato, a decisão do STF não traz problemas novospara o governo, mas ela pode se transformar num fato políticose o julgamento ocorrer em ano eleitoral", disse à Reuters umauxiliar do presidente Lula que pediu para não seridentificado. A cúpula do governo lamentou especialmente a acusaçãoaceita contra o ex-ministro Luiz Gushiken, por crime depeculato, uma decisão apertada (6 votos a 4), e a denúnciacontra o ex-ministro José Dirceu e a antiga cúpula do PT porformação de quadrilha. Mesmo que o julgamento da ação penal não venha a ocorrer noprimeiro semestre de 2010, o interesse pelo caso crescerá noperíodo eleitoral, impulsionado pela divulgação de novas provasque venham a ser produzidas contra os réus, avaliam lulistas. Os constrangimentos que a ação vier a criar para o governono futuro podem fragilizar o candidato (ou candidatos, sehouver mais de um) da base aliada à sucessão de Lula em 2010. O PT, por sua vez, terá de reagir com inteligência àtransformação em réus de sua antiga cúpula, avaliam auxiliaresde Lula. A decisão do STF deve acelerar o processo interno derenovação do comando partidário, prevenindo o impacto políticode uma eventual condenação do ex-ministro José Dirceu. VELOCIDADE MÁXIMA Para ganhar tempo na ação penal do mensalão, o STF jáautorizou o ministro-relator Joaquim Barbosa a emitir as"cartas de ordem" (citações oficiais) dos réus e para promoverinterrogatórios, que serão conduzidos por representantes daJustiça Federal nos Estados. O procedimento, que não é tradicional, evitará que embargos(recursos) da defesa paralisem o processo. Cumpridas as cartas,abre-se prazo de cinco dias para a apresentação de defesaprévia, ouvem-se as testemunhas e vêm as alegações finais daacusação e da defesa. Entre a denúncia do procurador-geral da República, AntonioFernando Souza, feita em março de 2006, e a decisão desta terçapassaram-se 18 meses, tempo considerado curto para um caso com40 denunciados, 51 volumes e mais de mil apensos. Pela primeira vez numa ação desse tipo os autos foramdigitalizados para que todos os ministros e as parte envolvidastivessem acesso simultâneo às informações. Sem isso, ojulgamento da denúncia levaria mais vinte meses, pelo menos,para ir ao plenário. "JULGADO NAS URNAS" Em público, a reação do Planalto ao julgamento é quaseolímpica. Varia de "o Supremo cumpriu sua obrigação", doministro da Defesa e ex-presidente do STF, Nelson Jobim, ao"decisão da Justiça se acata", do ministro Walfrido Mares Guia,das Relações Institucionais, em declarações logo depois dojulgamento de terça. Nesta quarta depois de participar de uma solenidade noPlanalto, o ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral, disse queo Supremo decidiu sobre atos individuais e que "nada sobre opresidente Lula esteve em exame". "Politicamente, o presidente Lula já foi julgado nas urnasdepois de uma disputa tremenda", disse Dulci a jornalistas.

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