Ação Empresarial cobra retomada da reforma tributária

O coordenador-geral da Ação Empresarial, Jorge Gerdau Johannpeter, classificou a estrutura tributária do Brasil de arcaica e medieval e pediu a retomada das discussões da reforma tributária. Ao abrir o seminário sobre "Regimes Fiscal e Tributário", em Brasília, ele disse que o empresário não pode permitir a continuidade do atraso dessa estrutura. "É uma injustiça com a Nação", afirmou. Para o empresário, esta não é uma batalha apenas do empresariado, mas de toda a população.Gerdau criticou as mudanças na cobrança do PIS e Cofins que, na avaliação dele, trouxeram aumento da carga tributária. Outra crítica foi com relação juros cobrados pelos bancos. Hoje, disse, cerca de 30% a 35% do juros cobrado nas operações de financiamento são decorrentes da carga tributária. Segundo ele apenas "dois trouxas" pagam esse juro elevado: o consumidor e o empresário que ainda sonha em investir. O coordenador da Ação Empresarial Gerdau não fez apenas críticas. Ele reconheceu que tem havido "algum esforço" em melhorar a estrutura tributária e citou o fato de o Brasil ter parado de exportar impostos, desonerando as exportações.O deputado Paulo Bernardo (PT-PR), que também participou do evento, disse que acha possível que o Congresso vote ainda este ano a proposta de reforma tributária, mas cobrou pressão e mobilização dos empresários. O deputado reconheceu, no entanto, que será preciso resolver alguns "imbróglios internos" no Congresso, citando a briga pela reeleição na Câmara e no Senado e as diferenças do governo com a base aliada em torno das emendas de parlamentares. Paulo Bernardo destacou que, ao invés de reclamações, é necessário construir uma agenda do que é possível fazer na reforma tributária. Ele destacou como avanço unificação das alíquotas do ICMS para acabar com a guerra fiscal entre os Estados. O presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), Gabriel Jorge Ferreira, também presente no seminário, criticou o aumento cada vez maior das despesas nos orçamentos da União, dos Estados e municípios. Ele criticou o fato de o ajuste fiscal das contas públicas estar sendo feito pelo aumento da arrecadação e pelo corte das despesas com investimentos. Segundo Ferreira, a excessiva carga tributária distorce os preços e estrangula qualquer esforço de poupança do setor privado.

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