Ação do Greenpeace irrita Igreja e PM

Um protesto de nove ativistas da Organização Não-Governamental Greenpeace contra o insucesso da Cúpula de Johannesburg irritou a Igreja e a Polícia Militar do Rio de Janeiro. O grupo escalou um dos principais cartões-postais da cidade, o monumento do Cristo Redentor, no morro do Corcovado, e estendeu uma faixa com os dizeres ?Rio + 10: 2ª chance?? Os manifestantes acabaram detidos, e a Arquidiocese manifestou seu repúdio contra a ?o uso indevido da imagem, símbolo doscatólicos do Rio e de todo o Brasil?. O comandante do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas, tenente-coronel Paulo Sérgio Marujo, chamou o grupo de ?um bando de canalhas?, embora não soubesse precisar o motivo da prisão. ?Acredito que tenha no Código Penal algum elementopara enquadrar isso?, disse. A ação do Greenpeace estava prevista para o último domingo, mas foi adiada por causa do mau tempo. Os ativistas ? sete brasileiros, uma americana e um irlandês ? chegaram ao Rio havia dez dias e estavam acampados no morro do Corcovado desde terça-feira, quando subiram por uma trilha. Às 8h30 desta quinta-feira, eles se aproveitaram de um momento de descuido da vigilância para subir na estátua com o auxílio deequipamentos de escalada. A polícia deslocou para o local mais de 30 homens, que esperaram os manifestantes descerem por quase duas horas.Ninguém resistiu à prisão. ?Destruíram em Johannesburg a possibilidade de mudança semeada na Rio-92. Praticamente nenhuma proposta concreta saiu. Fazer o Congresso de Petróleo no Brasil é um tapa na cara de quem tinha esperança de mudança. Estão festejando a vitória deles?, justificou o diretor-executivo do Greenpeace Brasil, Frank Guggenheim.A faixa de protesto, que foi estendida de um punho ao outro daestátua, demorou cerca de duas horas para ser instalada. A PM foiavisada por fiscais do Ibama que atuam no Parque Nacional da Tijuca. O padre José Benedito Reis Filho, da paróquia de São Judas Tadeu, representou a Arquidiocese do Rio no local e considerou a manifestação ?um desrespeito à imagem de Cristo?. À tarde, o Greenpeace divulgou nota segundo a qual ?a ação (...) nãotinha a intenção de atingir a imagem da Igreja católica ou devilipendiar ou ultrajar o monumento religioso. O objetivo era chamar a atenção do mundo sobre a preocupação acerca do meio ambiente e da saúde das gerações futuras e do planeta.? A explicação não convenceu o tenente-coronel Paulo Sérgio Marujo, comandante da operação que ocupou mais de três dezenas de policiais. Ele demonstrou irritação com a situação e negou falha da PM. ?É difícil imaginar que um bando de canalhas como esses vá utilizar técnicas de alpinismo para fazer uma coisa dessas.? Indagado, diante de gravadores, sobre o que pensava do protesto, conteve-se: ?É muito feio o que penso disso, prefiro não dizer?.Logo depois, em conversa com subordinados, expressou a sua revolta. ?Por que esses babacas não vão pendurar essa faixa na Petrobras?? Levados para a 7ª Delegacia de Polícia, em Santa Teresa (Centro do Rio), os ativistas depuseram e foram liberados. O delegado Oswaldo Cupello tipificou o caso como ?vilipêndio de objeto religioso?, cuja pena vai de um mês a um ano de detenção. Normalmente, essas punições são convertidas em ações comunitárias. O Greenpeace também fez um protesto de 20 minutos no Congresso Internacional de Petróleo, no Riocentro. Manifestantes picharam com óleo queimado um painel do evento com dizeres como ?Poluição?, ?E$$O? (em alusão à empresa petrolífera norte-americana); ?Aqui jaz Rio +10? e ?P-36?, em referência à plataforma da Petrobrás que afundou no anopassado. Um ativista com máscara do presidente dos EUA, George W. Bush, fingia ser uma marionete, com barbantes nos braços e pernas comandados por outro ativista que representava um executivo da Esso. Não houve incidentes com a polícia ou seguranças do evento.Veja galeria de fotos

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