Ação da Polícia Federal irrita caciques no MS

Pelo menos dez caciques de Mato Grosso do Sul estão revoltados com a Polícia Federal. Eles arrendam áreas agricultáveis de suas aldeias para fazendeiros e, partir deste ano, não poderão contar mais com o rendimento desse aluguel. Em Dourados, sul do MS, o delegado regional da PF, Lázaro Moreira, disse que mais da metade da Reserva Indígena de Dourados, cerca de 2 mil hectares, é explorada por brancos. "A Constituição Federal proíbe as pessoas não indígenas de exercer qualquer tipo exploração comercial em terras de índios", lembrou Lázaro.Ele explicou que para não prejudicar os agricultores brancos, deixará que eles façam a colheita da atual safra, destacando que "será a última como arrendatários de áreas indígenas". Os índios rejeitam essa condição, alegando que a parcela de terra cultivada pelos brancos é explorada em parceria com as lideranças locais, uma vez que eles não possuem condições financeiras nem implementos agrícolas.Sobre a possibilidade de uma revolta por parte dos índios, o delegado afirmou tratar-se do descontentamento de "poucos? que estão levando vantagem. ?A grande maioria está conformada com as medidas que estão sendo adotadas", garante. O cacique Ramão Machado, que há quase 20 anos arrenda áreas na Aldeia Bororó, é um dos mais inconformados. Ele acredita que os índios não ficarão impassíveis com a proibição.

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