Ação da PF contra fraudes no PAC atinge deputados federais

Operação João de Barros é a maior do ano e descobriu desvios no programa; prejuízo chega a R$ 700 milhões

Agência Brasil

20 de junho de 2008 | 15h07

A Operação João de Barro, considerada a maior do ano pela Polícia Federal, colocou sob suspeita nesta sexta-feira, 20, dois deputados federais, além de deputados estaduais, empresários, servidores e lobistas. O objetivo da ação é apurar esquema de desvio de recursos de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em sete Estados, e o prejuízo aos cofres públicos pode ultrapassar R$ 700 milhões. A PF já prendeu até a tarde desta sexta 26 das 38 pessoas acusadas de envolvimento no esquema (veja lista abaixo).       Agentes da Polícia Federal e um delegado chegaram a cumprir mandado de busca e apreensão na Câmara dos Deputados. No gabinete do deputado João Magalhães (PMDB-MG), no anexo 4 da Câmara dos Deputados, a PF levou vários documentos, um laptop e, aparentemente, um HD (disco rígido de computador). Há suspeita de que existam funcionários do gabinete envolvidos nos desvios de verba pública. Além do gabinete do deputado Magalhães, agentes  também apreenderam documentos no gabinete de outro parlamentar mineiro, Ademir Camilo (PDT). Os parlamentares não estavam em seus gabinetes.    Veja também:  As ações da Polícia Federal no governo Lula  O balanço do PAC   A operação da PF envolveu cerca de mil policiais e está sendo realizada nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Goiás, Tocantins e no Distrito Federal.  E foram expedidos 231 mandados de busca e apreensão e 38 mandados de prisão temporária. O dinheiro do PAC era desviado de obras de casas populares e estações de tratamento de esgoto. "Até agora foram presas 26 pessoas, entre elas servidores públicos, empresários e lobistas", disse uma assessora de imprensa da Polícia Federal no início da tarde de sexta-feira.   O superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais, David Salem, disse, em Brasília, que a operação pode resultar na instauração de, pelo menos, 200 inquéritos criminais."Vamos instaurar inquéritos para cada projeto, de forma que não se prejudique a investigação e se garanta a persecução penal. Houve desvio da ordem potencial de R$ 700 milhões, mas, com o correr das investigações, vamos dividir e chegar ao valor de cada projeto", afirmou Salem.     A partir de denúncias veiculadas pela imprensa, uma auditoria do TCU realizada em 29 municípios do leste de Minas Gerais revelou indícios de fraude na execução de obras. Em seguida, a investigação policial resultou na desarticulação de um esquema criminoso de desvio de verbas públicas destinadas, principalmente, à construção de casas populares e estações de tratamento de esgoto em vários municípios. Com menos dinheiro para a execução, as obras não apresentaram o padrão de qualidade e quantidade previsto no projeto original com o emprego de material de qualidade inferior, extensão da obra entregue menor que a estabelecida no projeto ou ainda a não realização da obra. Todos os mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Já os mandados de prisão foram expedidos pelo Juiz Hermes Gomes da 2ª Vara de Governador Valadares/MG. No curso da operação foi fundamental o apoio do judiciário em mais de uma instância, do Ministério Público Federal e da Controladoria Geral da União.   Veja o nome dos 38 procurados pela Polícia Federal:   Abelmar de Almeida Rodrigues - empresário de Belo Horizonte Adair Pereira Barbosa - empresário de Governador Valadares Alexandre Isaac Freire - funcionário público de Brasília Antônio Carlos de Carvalho - empresário de Governador Valadares Antônio José da Silva Filho - funcionário público de Governador Valadares Carlos Alberto da Rocha Machado - empresário de Lagoa Santa Carlos Alberto Buzaferro Ferreira - lobista de Belo Horizonte Edson José Fernandes Ferreira - lobista de São Paulo Eduardo Luis Cabral - empresário de Governador Valadares Eduardo Luis Magalhães - empresário de Belo Horizonte Edvan Miranda - Belo Horizonte Eliza Evangelista Carvalho - laranja de Belo Horizonte Evaldo Gomes de Figueiredo Junior - funcionário público de Governador Valadares Fernando Antonio Pinto - empresário de Governador Valadares Fernando Franco de Engnane - empresário de Governador Valadares Francisco Carlos Correa de Moura - empresário de Belo Horizonte Frederico Carlos de Carvalho Soares - funcionário público de Belo Horizonte Érico Fonseca Sobrinho - lobista de Goiânia João Carlos de Carvalho - lobista de Belo Horizonte Jose Assis Costa - empresário de Caratinga Jose de Mello Kallas - empresário de Belo Horizonte Jose Maria Alves de Carvalho - empresário de Governador Valadares Kleber Fabrício Silva - empresário de Governador Valadares Luca Prado Kallas - empresário de Belo Horizonte Luis Claudio de Vasconcelos - funcionário público de Brasília Marco de Almeida Rodrigues - empresário de Belo Horizonte Marcio Andrade Bonilho - empresário de São Paulo Marcio Miranda Soares - empresário de Governador Valadares Mary Rosania da Silva Lanes - funcionária pública de Governador Valadares Maurilho Reis Pretas - empresário de Belo Horizonte Miciany Catarine Madureira - Belo Horizonte Otavio Augusto Gonçalves Jardim - funcionário público de Brasília Patricy Carneiro Desmotes - empresária de Governador Valadares Paulo Roberto Miranda Soares - empresária de Governador Valadares Pierre Gonçalvez da Silva - empresária de Governador Valadares Ricardo Motta dos Santos - empresário de Belo Horizonte Roberto Correa de Moura - empresário de Belo Horizonte Rudson Kerley de Oliveira - funcionário público de Teófilo Otoni   (com Andréia Sadi, Bianca Pinto Lima e Paulo R. Zulinodo estadao.com.br, Felipe Recondo, de O Estado de S. Paulo e Reuters)  

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