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Ação contra políticos investigados na Lava Jato teria levado à demissão de ministro

Fábio Medina Osório solicitou acesso a inquéritos no Supremo com o objetivo de ajuizar ações de improbidade; governo Temer rechaça versão e diz que ele foi mandado embora da AGU pelo 'conjunto da obra'

Fábio Fabrini e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

09 de setembro de 2016 | 13h06

Brasília- Medidas que contrariaram interesses de políticos investigados na Operação Lava Jato foram a gota d'água para a demissão do advogado-geral da União, Fábio Medina Osório. Conforme fontes do governo, ouvidas pelo Estado, o Palácio do Planalto não teria concordado com o fato de o ministro ter solicitado acesso a inquéritos do Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram desvios na Petrobrás e outros órgãos públicos, com o objetivo de ajuizar ações de improbidade administrativa contra os envolvidos.

No último dia 24, o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo, autorizou  o acesso a 12 inquéritos, que citam vários políticos da base aliada do presidente Michel Temer. Uma autoridade do governo explica que o pedido da AGU foi feito sem alinhamento com o Planalto e poderia criar um "incidente político" com apoiadores no Congresso.

O assunto foi citado na conversa entre Medina e o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, na noite de quinta-feira, que resultou na exoneração do advogado-geral. 

Embora estivesse disponível, o material não chegou a ser recolhido pelos representantes da AGU no Supremo no tempo desejado pelo ministro. Segundo uma fonte do órgão, teria partido da Casa Civil orientação para que os inquéritos não fossem copiados. Ao ministro, um dos representantes desse setor alegou que faltava um HD externo para salvar as informações, o que não foi aceito.

Além disso, segundo fontes, o ministro propôs um reforço na equipe da AGU que trabalha no Paraná em parceria com a Lava Jato, o que também teria sido visto com preocupação pelo Planalto.  

Conjunto da obra. Fontes ligadas ao presidente Michel Temer, entretanto, rechaçam as versões e dizem que o agora ex-ministro deixa o cargo "pelo conjunto da obra" e que é "falaciosa" e mentirosa a acusação de que o governo quer interromper os trabalhos na Lava Jato, já que a nova ministra doutora Grace Maria Fernandes Mendonça vai continuar os trabalhos de combate à corrupção.

Após a oficialização da demissão de Medina, pessoas da equipe próxima do ex-advogado-geral informaram ao Palácio do Planalto que ele estava querendo despachar enquanto ainda não havia sido oficializada a sua saída no Diário Oficial da União. Segundo relatos, Medina teria tido "um surto" querendo ter suas ultimas ações como ministro. Com isso, o Planalto acelerou a publicação do Diário Oficial Extra que exonerou Medina e nomeou Graça Mendonça. "Ele vai vender a versão de que é injustiçado, mas isso não é verdade. Ele cometeu uma série de erros, está saindo pelo conjunto da obra", disse um interlocutor de Temer. 

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