Ação cita Yeda como beneficiária de fraude

Desvio de R$ 44 milhões do Detran favoreceu ?gestores públicos? e ?personalidades políticas?, diz petição do Ministério Público Federal

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

A petição inicial de uma ação civil pública de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal contra nove pessoas cita a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), como suposta beneficiária da fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran entre 2003 e 2007.O documento diz que "lobistas e prestamistas entregavam parte dos recursos financeiros escoados do erário aos gestores públicos responsáveis pela contratação e a outras personalidades políticas, com forte domínio e influência na continuidade do esquema fraudulento, especificamente os ora demandados". Entre os "demandados", acusa a Procuradoria da República, estão a governadora, o conselheiro-presidente do Tribunal de Contas do Estado, João Luiz Vargas, o deputado José Otávio Germano (PP-RS), ?padrinho político? do diretor-presidente do Detran, e os deputados estaduais Frederico Antunes (PP) e Luiz Fernando Zachia (PMDB).Quarenta páginas da ação civil foram divulgadas à imprensa pela Seccional do Rio Grande do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS). A entidade teve acesso às 1.238 páginas da ação, mas revelou somente as que não contêm dados sigilosos.A ação foi protocolada quarta-feira na Justiça pelo Ministério Público Federal. Os outros oito citados são o marido da governadora, Carlos Crusius, a assessora especial Walna Vilarins Meneses, o ex-secretário geral de governo Delson Martini, o tesoureiro da campanha do PSDB em 2006, Rubens Bordini, além do presidente do Tribunal de Contas do Estado, o deputado Otávio Germano e os deputados estaduais.O documento afirma que uma "verdadeira quadrilha criminosa" lesou os cofres públicos com a fraude do Detran, iniciada em 2003 e descoberta pela Polícia Federal no final de 2007. Também afirma que os participantes da organização mantinham "intensos contatos com gestores públicos para quem vendiam a fraude e dos quais dependiam decisivamente para a consecução da sangria do erário".A petição sustenta que cumprirá aos réus indenizar o Estado pelos prejuízos causados e pede o afastamento liminar dos agentes políticos. Os demandados na ação e seus advogados ainda não se manifestaram. Na quinta-feira, a governadora acusou os procuradores de armarem um "circo político" sem apresentar provas.

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