Academia de Polícia inclui biopirataria no currículo

O aumento dos crimes contra o meio ambiente, o patrimônio histórico e cultural levou a Polícia Federal a avaliar a necessidade de criar uma nova disciplina curricular na Academia Nacional de Polícia (ANP), voltada para essas áreas. A PF, que já montou um grupo especial para combater este tipo de crime, agora pretende aperfeiçoar todos seus futuros agentes e delegados.A equipe trabalha atualmente em três grandes operações para a recuperação de peças históricas, fósseis e extração ilegal de mogno na Amazônia. Paralelamente a isso, a PF vai tentar tornar mais severa a legislação para crimes ambientais e contra o patrimônio público. ?Nos últimos dias temos apreendido peças históricas e diversos tipos de fósseis que são tirados de locais tombados pelo governo. No entanto, nossas leis são leves para este tipo de crime?, afirma o delegado Jorge Barbosa Pontes, coordenador da área de Meio Ambiente e Patrimônio (Comap) da PF.O delegado, que é especialista neste tipo de crime, é responsável também pelas ações que investigam a extração ilegal de mogno no Sul do Pará e pela operação ?Cretáceo?, no Nordeste, que combate o transporte, a exploração ilegal e a retirada de fósseis, principalmente no sertão do Piauí, um dos maiores sítios arqueológicos brasileiros. ?Estamos trabalhando em conjunto com as superintendências regionais da PF, Ministério Público Federal e o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) para tentar diminuir a saída ilegal de fósseis no País?, afirma Pontes.O diretor de Polícia Fazendária da PF, Alciomar Goersch, quer aumentar o número de policiais para esta área e uma das pretensões é implantar na ANP uma disciplina voltada para o meio ambiente e patrimônio público, além de colocar em funcionamento um sistema rápido de recebimento e apuração das denúncias. ?Em um só dia conseguimos recuperar duas ânforas em madeira entalhada, graças às denúncias?, observa o delegado.As peças estavam tombadas na Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, no Rio de Janeiro, e estavam desaparecidas há quase quatro anos. No Piauí, centenas de ossos de dinossauros e materiais pré-históricos também já foram localizados pela PF, no mês passado. Tudo seria enviado ao exterior.

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