Abuso da internet jogou contra prefeito

Na avaliação de especialistas, blog criado por Maia ajudou a desgastá-lo

, O Estadao de S.Paulo

27 de dezembro de 2008 | 00h00

Apesar de ser lembrado pelo prefeito Cesar Maia como o grande fator de sua derrocada política, a "trombada" com o elevado custo dos Jogos Pan-americanos nos cofres públicos descrita por ele não foi o único motivo de desgaste. Entusiasta da internet, o prefeito terminou às voltas com o impacto negativo produzido por sua afinidade com as novas tecnologias de comunicação. A historiadora Marly Motta, da FGV, critica o uso que o prefeito fez de seu blog na rede, hoje transformado apenas num boletim diário com análises políticas. "A internet veio servir muito mais a seu estilo político do que como instrumento eficaz de comunicação", diz ela. "Acho que, pessoalmente, não é um homem de grande exposição."Maia não vê a situação dessa forma. Ele diz que, no segundo mandato, reduziu aparições públicas por já se considerar conhecido da população. E lembra que, por problemas de saúde (quebrou duas vértebras em 2002), em 2003 e 2004 chegou ao auge da reclusão. Mesmo assim, afirma, foi reeleito com maioria absoluta dos votos. Ao falar sobre sua afinidade com a internet, recorda que já mantinha comunicação em rede com seus auxiliares, inicialmente via fax, um hábito que acabou dando origem, em 2005, ao blog atualizado ao longo do dia. "E fez um sucesso espetacular, além do que eu podia imaginar." No Rio, porém, ocorreu um efeito colateral inesperado: muita gente o acusou de abandonar o trabalho para ficar "pendurado" na internet. Ele então transformou o blog em boletim, com apenas uma edição diária, enviada a assinantes. "Com a internet, o prefeito acabou se expondo muito", diz o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS). "Em política, não se consegue ser ator e comentarista ao mesmo tempo."Outro pesquisador, César Romero Jacob, cientista político da PUC do Rio, acha que o ex-blog foi uma forma de Maia "manter sua tropa unida", mas freqüentemente abordava questões nacionais, indicando que ele se desinteressava da cidade. "Nesse sentido, o de desprezar o local pelo nacional, repetiu Brizola e Garotinho."

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