Absolvição de Valentina causa estranheza ao MJ

A Comissão Especial do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), do Ministério da Justiça, divulgou ontem uma nota demonstrando estranheza em relação ao resultado do júri popular de Belém, no Pará, que absolveu a dona-de-casa Valentina Andrade, acusada de liderar uma seita que castrava meninos. Ressaltando reconhecer a soberania dos júris populares, a comissão "aponta o paradoxo da decisão que desconsiderou importantes elementos probatórios existentes nos autos".A nota é assinada pela procuradora Federal dos Direitos do Cidadão, Maria Eliane Menezes de Faria, pelo chefe da Ouvidoria da Secretaria Especial dos Direitos Humanos/Presidência da República, Pedro Montenegro e pelo assessor Especial do Ministério da Justiça, Douglas Martins. O texto diz que "diante do peso dos elementos trazidos ao processo, permanece sem respostas e inconclusa a apuração dos fatos e responsabilidades envolvendo a senhora Valentina Andrade". Eles dizem ainda que não foi apurada a participação de outros agentes "nos casos de emasculações analisados e a possibilidade da existência de crime organizado e suas conexões".Os membros da comissão encerram a nota dizendo que o resultado do julgamento "redobra" a determinação da comissão, considerado o principal órgão de defesa dos direitos humanos no Brasil, "em continuar buscando a apuração destes crimes hediondos praticados contra meninos indefesos em várias partes do território nacional".

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