Absolvição de Brant e Luizinho gera mal-estar na Câmara

Os ânimos ainda estão acirrados na Câmara depois desta quarta-feira, quando os deputados Roberto Brant (PFL-MG) e Professor Luizinho (PT-SP) foram absolvidos nos processos em que foram acusados de uso de caixa 2 na campanha eleitoral. Um bate-boca entre os deputados Fernando Ferro (PT-PE) e Júlio Delgado (PSB-MG) quase se transformou em uma briga no Salão Verde na manhã desta quinta-feira. A discussão começou quando Delgado analisava as votações de quarta-feira. O mineiro dizia que o discurso de Fernando Ferro a favor de Brant e a defesa do pefelista Mussa Demes (PI) a Luizinho foi a senha de que houve acordão. Fernando Ferro interrompeu a entrevista e gritou com Delgado: "Me respeite. Eu fiz isso por acreditar nas pessoas que defendi. É você que está querendo aparecer". Delgado, com calma, se virou para Ferro e disse: "O que foi, Ferro? Pode falar". Demonstrando nervosismo, Ferro disse que Delgado deveria ter dignidade. O mineiro retrucou e disse que o petista era corporativista. "Me respeite! você está na segunda lista de Marcos Valério. O que você está falando é covardia", disse Ferro. Delgado deixou a discussão quando seguranças da Casa já haviam se aproximado, prontos para evitar uma briga. Alguns passos mais adiante, Delgado afirmou que o petista queria provocá-lo.Papel de boboNo Conselho de Ética, o resultado parece que provocou uma "ressaca" em integrantes do colegiado. "Há um processo de cassação do conselho, de desmoralização", afirmou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). "Os pareceres do conselho não são ouvidos nem considerados. O peso da biografia do parlamentar é decisivo", continuou Alencar. "O plenário disse que o dinheiro sacado no valerioduto não é passível de punição. Caixa 2, então, nem conta", disse Alencar."Estou aqui me sentindo mal demais. Estamos aqui fazendo papel de bobo", afirmou Júlio Delgado. Conselheiros reclamam de que deputados não ouvem os pareceres do colegiado nem levam em conta a análise técnica dos processos. "Enquanto o conselho analisa com critérios técnicos, o plenário julga pela biografia e pelo relacionamento pessoal. O plenário avalia se a pessoa foi bom ministro ou bom líder do governo. Julga por fatores totalmente externos aos processos", avaliou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), referindo-se a Brant, ex-ministro da Previdência no governo Fernando Henrique Cardoso e Luizinho, ex-líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara.

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